Decreto do governo gera repercussão na Itália e no mundo

OMS elogiou medida de isolar a Lombardia e outras 14 províncias

Terminais de ônibus em Milão ficaram lotados neste domingo
Terminais de ônibus em Milão ficaram lotados neste domingo (foto: ANSA)
10:16, 08 MarROMA ZRS

(ANSA) - O novo decreto assinado neste domingo (8) pelo primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, que coloca em isolamento a Lombardia e 14 províncias de outras quatro regiões, gerou muita repercussão dentro do país e no mundo. A medida foi elogiada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas também vem sendo criticada por prefeitos de cidades afetadas pela regra.

Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor da OMS, escreveu em suas redes sociais que o decreto do governo italiano "está tomando medidas ousadas e corajosas para retardar a disseminação do coronavírus e proteger seu país e o mundo".

Além de destacar que o país vem "fazendo sacríficios" para combater a doença, Ghebreyesus também afirmou que a OMS "está em solidariedade" com a Itália.

Stefania Bonaldi, prefeita de Crema, pediu para os moradores da cidade, que foi afetada pelo decreto, para respeitar as restrições do governo italiano.

Enquanto isso, o prefeito de Asti, Maurizio Rasero, comentou que a decisão de isolar a província em decorrência do coronavírus é uma "loucura". O decreto, por sua vez, já trouxe reflexos em Asti, província que possui quase 215 mil habitantes. Os supermercados de diversas cidades locais ficaram lotados e com grandes filas.

A região do Vêneto também não ficou satisfeita de estar incluída na zona de isolamento. A Unidade de Crise local anunciou que solicitou "a remoção das províncias de Pádua, Treviso e Veneza do decreto".

Já o governador da Lombardia, Attilio Fontana, afirmou que seria "um pouco mais rígido" nas medidas sobre o distanciamento de um metro entre as pessoas.

Transporte

A Entidade Nacional para a Aviação Civil (Enac) informou que todos os aeroportos da Itália, incluindo aqueles nas áreas restritas pelo decreto, estão abertos e operando normalmente.

A epidemia parece não ter desencadeado muito pânico em Milão. O aeroporto de Linate não ficou lotado, tanto que os balcões de check-in da Alitalia, por exemplo, estavam quase vazios.

A situação não foi a mesma no terminal de Lampugnano, em Milão, que já estava lotado antes da 7h (horário local). Cerca de 150 ônibus já estavam esperando milhares de passAgeiros preocupados em não poder voltar ao país ou cidade de origem por conta do decreto.

Já as estradas da região da Lombardia estão quase vazias neste domingo (7).

Quarentena

Ao menos quatro regiões do sul da Itália deixarão as pessoas que vieram da chamada zona vermelha do país em quarentena. 

 Até o momento, as regiões de Abruzzo, Sicília, Molise e Basilicata anunciaram a medida.

"Uma ordenança difícil de implementar e igualmente difícil de monitorar se não for acompanhada de uma vasta e consciente colaboração dos envolvidos diretamente e de suas famílias", explicou o governador de Abruzzo, Marco Marsilio.

Mundo

As medidas tomadas pelo governo italiano para tentar impedir a disseminação do coronavírus no país dominaram os sites dos principais jornais do mundo. A "BBC", por exemplo, trouxe como destaque que a nação "colocou em quarentena 16 milhões de pessoas" e definiu a escalada de esforços para conter o vírus como "dramática".

A mesma linha foi seguida pelo francês "Le Monde", que também destacou que a itália "é o país mais afetado pelo coronavírus na Europa".

O decreto assinado pelo primieiro-ministro Giuseppe Conte também foi manchete do espanhol "El Pais", do britânico "Guardian", do norte-americano "New York Times" e do belga "Le Soir".(ANSA)

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