'Somos todos italianos', diz presidente da Comissão Europeia

Ursula von der Leyen prometeu apoiar Itália contra epidemia

Ursula von der Leyen prometeu 'vários bilhões de euros' para a Itália
Ursula von der Leyen prometeu 'vários bilhões de euros' para a Itália (foto: EPA)
14:28, 11 MarBRUXELAS ZLR

(ANSA) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, divulgou nesta quarta-feira (11) um vídeo em que elogia os esforços da Itália no combate à epidemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2) e diz: "Somos todos italianos".

A mensagem de apoio chega em meio às restrições de viagem impostas por diversos Estados-membros da União Europeia contra a Itália, que também se prepara para pedir a Bruxelas mais flexibilidade no Orçamento para enfrentar o Sars-CoV-2.

"Caros italianos, neste momento tão difícil, gostaria de dizer a vocês, que lutam contra o vírus, que vocês não estão sozinhos. Seus esforços e seu exemplo são preciosos para todos os cidadãos europeus. Na Europa, estamos acompanhando com preocupação, mas também com profundo respeito e admiração, aquilo que vocês estão fazendo. A Itália é parte da Europa, e a Europa sofre junto com a Itália. Na Europa, somos todos italianos", declarou Von der Leyen, em italiano.

Em seguida, já em inglês, a presidente prometeu que a Comissão Europeia fará "todo o possível" para apoiar Roma no combate ao coronavírus. "Devemos agir rapidamente, agir juntos, para levar ajuda. Estou em constante contato com o primeiro-ministro Giuseppe Conte. Devemos apoiar o setor sanitário com urgência. Sei que a Itália enfrenta a falta de equipamentos de proteção pessoal, principalmente dispositivos respiratórios. Pedi para meus comissários trabalharem com a indústria para aumentar a produção de tais equipamentos", acrescentou.

Von der Leyen também reconheceu a obrigação de estimular a economia e prometeu tomar "todas as medidas necessárias" para enfrentar os efeitos financeiros da epidemia na Itália. "Nossa economia europeia precisa de mais flexibilidade e liquidez", disse, anunciando um fundo de 25 bilhões de euros para auxiliar os Estados-membros, incluindo "vários bilhões para a Itália".

"A Europa é uma grande família, e saibam que essa grande família não a deixará sozinha", concluiu, de novo em italiano.

Pacote

Durante a manhã, Conte anunciou a destinação de 25 bilhões de euros para fazer frente à epidemia do novo coronavírus, que já contaminou mais de 12 mil pessoas e matou pelo menos 827 na Itália.

Um primeiro decreto de 12 bilhões de euros deve ser aprovado na próxima sexta-feira (13), com medidas como licença maternidade e paternidade para as famílias e vouchers para contratação de babás, já que as escolas estão fechadas até 3 de abril.

O objetivo do governo é obter recursos europeus para aliviar o impacto das ações em seu Orçamento - a Itália já tem a segunda maior dívida da zona do euro, superior a 130% do Produto Interno Bruto (PIB), mas arrisca cair em recessão devido à epidemia.

O ministro da Economia Roberto Gualtieri afirmou que o pacote provocará um endividamento extra de até 20 bilhões de euros, a depender dos repasses de Bruxelas, algo equivalente a 1,1% do PIB. Isso faria o déficit da Itália em 2020 ultrapassar o limite de 3% do Produto Interno Bruto imposto pela UE.

Políticos italianos, como o chanceler Luigi Di Maio e o líder da oposição, Matteo Salvini, também criticam a falta de solidariedade dos outros Estados-membros no combate ao coronavírus. Áustria e Eslovênia reintroduziram controles nas fronteiras com a Itália, enquanto Espanha, Portugal e Malta suspenderam voos para aeroportos italianos.

"Alguns fecham as fronteiras, é verdade, mas não ficaremos somente olhando. Vamos superar essa crise", garantiu Di Maio no Facebook. (ANSA)

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