'Apoiaremos tudo que a Itália pedir', diz Comissão Europeia

Von der Leyen voltou a manifestar apoio ao país contra vírus

Idosos caminham com máscaras na orla de Nápoles
Idosos caminham com máscaras na orla de Nápoles (foto: )
11:26, 13 MarBRUXELAS ZLR

(ANSA) - A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou nesta sexta-feira (13) que a Itália "terá tudo aquilo de que precisa" para combater a Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus (Sars-CoV-2).

A declaração busca tranquilizar o país após o pânico que se instaurou no mercado italiano na última quinta (12), em função do pronunciamento da presidente do Banco Central Europeu, Christine Lagarde, que dera a entender que a instituição não interviria para conter a instabilidade nos membros da eurozona.

"Estamos prontos a ajudar a Itália com tudo aquilo de que ela precisar. Apoiaremos tudo aquilo que [a Itália] pedir. O próximo pode ser outro Estado-membro", afirmou Von der Leyen, que há dois dias já havia divulgado um vídeo no qual promete ajudar o país mais atingido pela Covid-19 no bloco.

O que a Itália pede no momento é mais flexibilidade orçamentária para combater a epidemia e o repasse de recursos europeus para aliviar a pressão fiscal sobre suas contas. Na última quarta (11), o primeiro-ministro Giuseppe Conte anunciou um pacote de 25 bilhões de euros para frear os efeitos da Covid-19 na economia, o que, segundo o governo, pode provocar um endividamento extra de 20 bilhões de euros em 2020.

Isso representaria 1,1% do Produto Interno Bruto e faria o déficit fiscal da Itália ultrapassar a barreira de 3% do PIB imposta pelo Pacto de Estabilidade da UE. "Vamos dar máxima flexibilidade", garantiu Von der Leyen nesta sexta.

BCE

A Itália viveu um dia caótico no mercado financeiro na última quinta por causa da coletiva de imprensa de Lagarde, com o índice FTSE MIB, da Bolsa de Milão, registrando a pior queda de sua história: 16,9%.

Além de ter anunciado um pacote de estímulos considerado tímido por analistas, a presidente do BCE manteve inalteradas as taxas básicas de juros da instituição e disse que não estava lá para "aproximar os spreads", ou seja, a diferença entre os rendimentos dos títulos públicos dos países da zona do euro.

Ao longo dos últimos anos, a Itália viu os juros de sua dívida crescerem em momentos de crise, o que provoca um aumento do custo para financiar o endividamento e, ao mesmo tempo, reduz o espaço no Orçamento para fazer investimentos ou pagar despesas correntes.

A declaração de Lagarde foi comparada à famosa frase dita por seu antecessor, o italiano Mario Draghi, em 2012, no auge da crise de confiança na zona do euro: "O BCE está pronto para fazer o que for preciso para preservar o euro e, acreditem em mim, isso será o bastante", disse Draghi na ocasião, acalmando os mercados.

O pronunciamento de Lagarde também provocou uma rara manifestação de descontentamento do presidente da Itália, Sergio Mattarella, que prefere manter uma postura discreta e atuar nos bastidores.

"A Itália atravessa uma condição difícil, e sua experiência de combate à difusão do coronavírus será útil para todos os países da União Europeia. Espera-se, portanto, iniciativas de solidariedade, e não medidas que possam atrapalhar a ação", diz uma nota assinada pelo chefe de Estado na quinta-feira.

"A Europa pede aos Estados-membros medidas para combater eficazmente a emergência sanitária. Em particular, o dever do Banco Central deve ser o de não atrapalhar, mas sim de facilitar tais intervenções, criando condições financeiras favoráveis", reforçou o primeiro-ministro Giuseppe Conte.

A epidemia já contaminou mais de 15 mil pessoas na Itália e deixou pelo menos 1.016 mortos. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA