Região italiana libera restaurantes e abre crise institucional

Decisão da Calábria causou incômodo no governo e em municípios

Apesar de governadora, restaurantes permanecem fechados em Reggio Calabria
Apesar de governadora, restaurantes permanecem fechados em Reggio Calabria (foto: ANSA)
14:39, 30 AbrROMA ZLR

(ANSA) - A decisão unilateral de uma região do sul da Itália de reabrir restaurantes, bares e confeitarias antes da permissão do governo nacional arrisca provocar uma crise institucional em meio à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2).

Em discurso no fim de semana, o primeiro-ministro Giuseppe Conte disse que restaurantes poderão servir comida para viagem a partir da próxima segunda-feira (4), mas descartou uma reabertura total antes de 1º de junho.

Apesar disso, a governadora da Calábria, Jole Santelli, do partido conservador Força Itália (FI), que faz oposição a Conte, se antecipou e autorizou a reabertura de restaurantes, pizzarias, bares e confeitarias, desde que os clientes sejam servidos em mesas a céu aberto, a partir desta quinta (30).

"Já que os calabreses demonstraram senso cívico e respeito às regras, é justo que a região lhes dê confiança. Eles saberão demonstrar bom senso na gestão da abertura permitida pela região", disse Santelli nesta quarta-feira (29).

O governo italiano, no entanto, pode tentar impugnar a decisão da governadora. "É provável um aviso formal para a Calábria. Não se trata de hierarquia das regras, mas de estar dentro de uma diretriz, ou os cidadãos não entenderão mais nada", disse à Rádio 24 o subsecretário do Ministério do Interior, Achille Variati.

Se o pedido não for aceito pela Calábria, o governo pode recorrer à Justiça Administrativa ou à Corte Constitucional para derrubar a medida. Mas a decisão não provocou irritação apenas em Roma. Diversos municípios calabreses contestaram o ato de Santelli e decidiram manter as diretrizes nacionais.

 

A lista de cidades que se rebelaram contra a governadora inclui as duas mais populosas da região, Reggio Calabria e Catanzaro. A primeira é guiada pela centro-esquerda, mas a segunda está nas mãos do mesmo partido de Santelli, indicando que a insatisfação é suprapartidária.

"Continuarão fechados parques, cemitérios e todas as outras atividades regulamentadas, como bares e restaurantes", disse o prefeito de Catanzaro, Sergio Abramo. Já o prefeito de Reggio Calabria, Giuseppe Falcomatà, afirmou que a ordem de Santelli é "ilegítima". "Era importante devolver a calma e a tranquilidade", acrescentou.

Situada no "bico da bota" representada pelo mapa da Itália, a Calábria tem apenas 1.108 casos e 86 mortes na pandemia do novo coronavírus, enquanto o país inteiro contabiliza 205.463 contágios e 27.967 óbitos.

O governo Conte já reabriu livrarias e lojas de produtos para crianças e permitirá o funcionamento de parques a partir do dia 4, mas governadores de oposição vêm pressionando para o primeiro-ministro acelerar a reabertura. "Eliminaremos [em 4 de maio] todas as restrições que havíamos imposto", disse o governador Attilio Fontana, da Lombardia, epicentro da pandemia na Itália. (ANSA)

 

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