Salvini apresenta moção contra ministro da Justiça da Itália

Medida foi tomada pelos partidos de centro-direita

Publicação no blog do M5S em defesa de Alfonso Bonafede
Publicação no blog do M5S em defesa de Alfonso Bonafede (foto: ANSA)
17:41, 07 MaiROMA ZCC

(ANSA) - O ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini anunciou nesta quinta-feira (7) que os partidos de centro-direita se uniram e apresentaram uma moção de desconfiança contra o ministro da Justiça, Alfonso Bonafede.

"Estou feliz porque, depois de horas e horas de trabalho, o centro-direita, compacto e unido, encontrou uma posição comum que foi depositada no Senado que prevê que o ministro Bonafede, após os milhares de erros cometidos, responda", afirmou o líder do partido Liga.

Segundo o político, a moção de desconfiança foi apresentada "pela evidente incapacidade do ministro" de administrar a situação nas prisões durante a pandemia do novo coronavírus.

Salvini elencou diversos motivos, entre eles "os tumultos nas prisões, com mortos e feridos; a libertação de mafiosos, assassinos, delinquentes que saíram das prisões por inatividade, pelo menos pelo Ministério da Justiça; os protestos de advogados em toda a Itália; o caso nos tribunais de reabertura".

O Movimento 5 Estrelas (M5S), por sua vez, defendeu Bonafede e ressaltou que os "partidos de centro-direita querem desencorajar" o ministro, por ser "desconfortável".

Em uma longa publicação no Facebook, o partido que compõe a base do governo, fez diversas acusações contra as legendas. "De que púlpito está o dedo apontado? Do partido fundado por um condenado por uma competição externa pela associação mafiosa e todos governados por um condenado por fraude fiscal. Do partido que teve alguns 'problemas' com relação ao financiamento, entre os 49 milhões a serem devolvidos e a história dos fundos da Rússia que está clara", afirmou.

A polêmica teve início em março passado, desde quando o governo da Itália aprovou uma regra que prevê prisão domiciliar para detentos condenados por crimes de menor gravidade e com menos de 18 meses para descontar.

A iniciativa teve como objetivo reduzir a superlotação nas prisões italianas em tempos de coronavírus e não vale para criminosos sentenciados por associação mafiosa. Ainda assim, a saída de expoentes de dois dos grupos mafiosos mais perigosos da Itália, Pasquale Zagaria, ligado à mafia Camorra, de Nápoles, e Francesco Bonura, da siciliana Cosa Nostra, da cadeia esquentou o debate político.

Na ocasião, o senador Salvini já havia expressado seu desejo de convocar o ministro da Justiça a prestar esclarecimentos na Comissão Parlamentar Antimáfia. (ANSA)

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