Itália anuncia regularização de imigrantes e gera polêmica

Ministra da Agricultura se comoveu ao divulgar nova medida

Ministra da Agricultura se comoveu ao divulgar nova medida
Ministra da Agricultura se comoveu ao divulgar nova medida (foto: )
19:02, 13 MaiROMA ZCC

(ANSA) - A ministra da Agricultura da Itália, Teresa Bellanova, anunciou nesta quarta-feira (13) que o governo chegou a um acordo para regularizar a situação de trabalhadores estrangeiros cuja permissão de estadia já expirou, especialmente no setor agrícola, ou que perderam o emprego durante a pandemia do novo coronavírus.

A decisão foi anunciada após o Conselho de Ministros aprovar o decreto-lei para incentivar a retomada econômica do país. "A partir de hoje os invisíveis serão menos invisíveis", declarou.

Visivelmente emocionada, Bellanova ressaltou que, após discussão, a maioria determinou que "venceu a dignidade dos homens e mulheres, de pessoas que vivem em uma situação de grande dificuldade e que agora poderão pedir proteção em seu trabalho".

Segundo a ministra, o acordo sobre os trabalhadores agrícolas, empregadas domésticas e cuidadores de idosos deveria ser feito porque a Itália "é um país civil e democrático".

Nos últimos dias, Bellanova tem defendido a regularização dos cerca de 600 mil imigrantes em condição irregular na Itália para garantir a mão de obra no campo. A decisão, no entanto, foi alvo de críticas.

Após o anúncio, o ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini atacou Bellanova. "As lágrimas da ministra Bellanova pelos imigrantes pobres, com muitas saudações aos milhões de italianos desempregados, não comovem ninguém", afirmou.

Já a líder do partido Irmãos da Itália, Giorgia Meloni, ironizou a comoção da ministra. "Centenas, talvez milhares de italianos choraram, talvez à noite, secretamente de seus filhos, esmagados pelo desespero por terem perdido tudo ou pelo medo de perder tudo. Esperando por ajuda que nunca chegou. Hoje à noite a ministra Bellanova ficou emocionada, mas devido à regularização dos imigrantes".

O primeiro-ministro Giuseppe Conte, por sua vez, deixou claro que, mesmo não tendo feito um estudo exato dos números, 600 mil imigrantes estão abaixo dos cerca de 877 mil migrantes regularizados pelo governo de centro-direita. "Se são números errados, peço desculpas antecipadamente, mas não é um problema de números, é de substância", afirmou.

Durante a coletiva, Bellanova ainda explicou que já pediu ao Ministro do trabalho para "ativar uma plataforma para disponibiliza os contatos de empresas agrícolas para quem quer trabalhar. "Os pedidos são muitos e está tudo bem, mais cidadãos italianos vão trabalhar e mais cedo resolveremos a emergência do trabalho na agricultura", concluiu.

O novo decreto também destinará 1 bilhão e 150 milhões de euros para apoiar a rede de suprimentos agrícolas. As intervenções serão direcionadas aos setores mais afetados, como floricultura, fazendas e redes de produtos de vinícolas. (ANSA)

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