Italiano critica OMS por fala sobre assintomáticos

Walter Ricciardi disse que entidade deu resposta "imprecisa"

Maria van Kerkhove, chefe do programa de emergências da OMS, deu declaração polêmica sobre assintomáticos
Maria van Kerkhove, chefe do programa de emergências da OMS, deu declaração polêmica sobre assintomáticos (foto: EPA)
09:33, 10 JunROMA ZLR

(ANSA) - O representante italiano na Organização Mundial da Saúde (OMS), Walter Ricciardi, criticou a entidade nesta quarta-feira (10) por causa da polêmica relativa à transmissibilidade do novo coronavírus a partir de assintomáticos.

Segundo Ricciardi, que também é conselheiro do ministro da Saúde da Itália, Roberto Speranza, a organização deu uma "resposta imprecisa e equivocada" ao dizer que pacientes sem sintomas raramente transmitem o Sars-CoV-2.

"A transmissão por pré-sintomáticos é típica deste vírus, o que o diferencia da Sars e da Mers. Em um mês, ele se difundiu por todo o mundo, enquanto outras pandemias levaram seis meses ou um ano", declarou o italiano à emissora Rai.

Pré-sintomáticos são aqueles que ainda não desenvolveram nenhum sintoma, mas que serão afetados pela Covid-19, a doença provocada pelo novo coronavírus. Eles se diferenciam dos assintomáticos, que não apresentam sinais de infecção em nenhum momento.

Há dois dias, a chefe técnica do programa de emergências da OMS, Maria van Kerkhove, disse que assintomáticos raramente transmitem o vírus, o que foi capitalizado pelo presidente Jair Bolsonaro, crítico das medidas de isolamento social.

Na última terça (9), no entanto, a mesma Kerkhove explicou que sua declaração se baseava em dados ainda não publicados e que é preciso levar em consideração os pré-sintomáticos, o que torna necessárias as medidas de prevenção contra a pandemia.

Além disso, o diretor do programa de emergências da organização, Michael Ryan, garantiu estar "absolutamente convencido de que a transmissão por casos assintomáticos está ocorrendo". "A questão é saber quanto", explicou.

Apesar da confusão, Ricciardi disse que a OMS está sob pressão e que a pandemia seria muito pior sem a entidade. "Devemos apoiar a OMS e criticá-la quando erra, dando uma resposta imprecisa e sem evidência científica, mas não pensando em aboli-la", concluiu. (ANSA)

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