Premiê da Itália depõe sobre pandemia por mais de 3 horas

Giuseppe Conte foi ouvido pelo Ministério Público de Bergamo

Giuseppe Conte foi ouvido como 'testemunha informada sobre os fatos'
Giuseppe Conte foi ouvido como 'testemunha informada sobre os fatos' (foto: ANSA)
14:55, 12 JunROMA ZLR

(ANSA) - Durou mais de três horas a audiência do primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, com procuradores de Bergamo sobre um inquérito que apura as causas da disseminação do coronavírus Sars-CoV-2 no país.

Maria Cristina Rota, Paolo Mandurino, Silvia Marchina e Fabrizio Gaverini, do Ministério Público bergamasco, chegaram ao Palácio Chigi, sede do governo italiano, por volta de 9h45 (horário local) e conversaram com Conte até quase 13h30.

Os procuradores também ouviram os ministros da Saúde, Roberto Speranza, e do Interior, Luciana Lamorgese. Nenhum dos representantes do governo é investigado neste momento, e todos serão interrogados como "testemunhas informadas sobre os fatos".

O inquérito quer descobrir por que não foi instituída uma "zona vermelha" nas cidades de Nembro e Alzano Lombardo, primeiros focos de contágio na província de Bergamo. O MP já registrou, na semana passada, os depoimentos do governador da Lombardia, Attilio Fontana, e do secretário de Bem-Estar Social da região, Giulio Gallera.

Na ocasião, Fontana foi recebido na sede do Ministério Público de Bergamo sob protestos e disse que a decisão de instituir uma "zona vermelha" cabia ao governo da Itália.

"Zona vermelha"

Assim que foram descobertos os primeiros casos de transmissão interna do Sars-CoV-2 no país, no fim de fevereiro, o governo italiano transformou 11 cidades, sendo 10 na Lombardia e uma no Vêneto, em "zonas vermelhas", com bloqueios para impedir a entrada e saída de pessoas e até toque de recolher.

A mesma medida, no entanto, não foi tomada em Nembro e Alzano Lombardo, também na Lombardia. Os dois municípios só entraram em quarentena em 9 de março, com o restante da região, e as outras partes do país começaram o lockdown no dia seguinte.

O sistema de "zona vermelha", revogado nas 11 cidades com o início da quarentena nacional, tinha regras mais rígidas do que as que vigoraram até meados de maio em toda a Itália. O lockdown dos últimos meses permitia a saída de casa por motivos de trabalho, para comprar alimentos e até para se exercitar, e nunca houve um toque de recolher que cobrisse todo o território italiano.

Na última quarta-feira (10), um comitê de familiares de vítimas da pandemia chamado Noi Denunceremo apresentou cerca de 50 denúncias ao MP de Bergamo, mas sem acusar ninguém em específico. Ainda assim, o grupo acredita que as autoridades não fizeram tudo o que podiam para controlar a pandemia.

As ações citam a suposta falta de informações para os pacientes e parentes sobre os riscos de infecção, especialmente no início da crise; a ausência de dispositivos de proteção em hospitais; e a escassez de médicos para a gestão domiciliar de doentes sem necessidade de internação.

Além disso, questionam as decisões de não fechar o hospital de Alzano Lombardo e de não instituir um lockdown imediato no Vale Seriana, onde fica a cidade. "Queremos buscar a verdade sobre o que aconteceu para identificar os responsáveis e obter justiça", disse na quarta-feira o presidente do comitê, Luca Fusco, que perdeu o pai na pandemia.

Bergamo é a quarta província com mais casos na Itália em termos absolutos, com 13,7 mil, atrás de Milão (23,6 mil), na Lombardia, Turim (15,7 mil), no Piemonte, e Brescia (15,2 mil), também na Lombardia. (ANSA)

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