Itália pode ter meses mais difíceis que no início de pandemia, diz governador

Líder da Campânia alertou para alta em casos de coronavírus

Protesto em Nápoles, capital da Campânia, contra possível restrição ao funcionamento de lojas
Protesto em Nápoles, capital da Campânia, contra possível restrição ao funcionamento de lojas (foto: ANSA)
16:31, 09 OutNÁPOLES ZLR

(ANSA) - O governador da terceira região mais populosa da Itália afirmou nesta sexta-feira (9) que, se as tendências atuais se mantiverem, o país viverá meses mais difíceis do que no início da pandemia do coronavírus Sars-CoV-2.

A declaração chega em meio à escalada dos novos casos na Itália, com os focos de contágio se deslocando em direção ao sul da península.

"O momento mais difícil da Covid-19 não ficou para trás, ele ainda está na nossa frente. Preparemo-nos para ter meses - se as tendências em curso se confirmarem - ainda mais pesados do que aqueles de janeiro a maio", disse Vincenzo de Luca, governador da Campânia, região de 5,8 milhões de habitantes e cuja capital, Nápoles, é a maior e mais importante cidade da Itália meridional.

Relativamente poupada no início da pandemia, a Campânia vem sendo o principal vetor de crescimento dos casos de Sars-CoV-2 no país desde 26 de setembro, superando inclusive a Lombardia, epicentro da crise na Itália, nos números diários.

A região soma 16.464 contágios confirmados desde o início da pandemia, sendo que 5.109 foram registrados nos últimos 13 dias. Em 18 de maio, quando a Itália saiu do lockdown, a Campânia somava 4.695 casos e 399 óbitos - agora são 470 mortes na região.

 

"Se crescer a idade média dos infectados, podemos esperar mais internações, e com duas novidades que não tínhamos seis meses atrás: a abertura das escolas e a temporada de epidemia gripal", acrescentou De Luca, recém-reeleito com quase 70% dos votos, muito em função de sua postura "linha dura" na crise sanitária.

Apesar do crescimento recente nos casos, o governador ressaltou que a situação "parece sob controle", mas não confirmou se adotará medidas restritivas nos próximos dias. "Tomaremos todas as decisões necessárias, não as decisões mais cômodas", disse.

Pouco após as declarações, De Luca fez uma live no Facebook em que deltalhou mais os números que causam tanta preocupação.

“O objetivo é ter equilíbrio entre os novos positivos e os curados. Mas, se tivermos mil contágios e 200 curados por dia, isso é lockdown. Se nós tivermos um aumento de 800 casos ativos por dia, fechamos tudo. Eu não estou dramatizando, estou fazendo um cálculo numérico”, acrescentou. 

Segundo o governador, a região está completando a “Fase C do plano, com um nível de contágio médio-alto”.

“Agora, estamos entrando na Fase D, a de contágios elevados ou muito elevados. O objetivo em toda a Itália é ter mais ou menos um equilíbrio entre novos contágios e curados, de maneira gerenciável, cerca de 700 casos para cada 500 ou 600 curados. Precisamos sempre ter em mente esse equilíbrio”, ressaltou.

Suíça

Por conta do recrudescimento da pandemia, a Campânia foi colocada pelo governo da Suíça em uma lista de países e zonas com alto risco de infecção pelo Sars-CoV-2.

A relação atualizada nesta sexta-feira também contém as regiões italianas da Sardenha e do Vêneto, que se juntam à Ligúria, incluída em 25 de setembro.

A lista vale pelo menos até 12 de outubro e determina que viajantes provenientes dessas zonas cumpram quarentena de 10 dias ao entrar na Suíça. Atualmente, a Itália contabiliza 338.398 casos e 36.083 mortes na pandemia do novo coronavírus. (ANSA)

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