Assassino de Meredith Kercher prestará serviços sociais na Itália

Rudy Guede demonstrou bom comportamento na prisão

Rudy Guede demonstrou bom comportamento na prisão
Rudy Guede demonstrou bom comportamento na prisão (foto: ANSA)
15:54, 04 DezPERUGIA ZCC

(ANSA) - O marfinense Rudy Guede, condenado a 16 anos de prisão pelo assassinato da estudante britânica Meredith Kercher, ganhou o direito de prestar serviços sociais, segundo apuração da ANSA com fontes próximas nesta sexta-feira (4).

"O pedido foi deferido pelo Tribunal de Tutela de Roma em consideração ao documentável percurso educativo e humano que Guede percorreu durante os seus 13 anos de detenção", explicou à ANSA Claudio Mariani, do Centro de Estudos Criminológicos de Viterbo.

Segundo ele, ao longo dos anos, o marfinense engajou-se com o Grupo de Assistência Voluntária (Gavac) e animadores penitenciários, onde realizou seu processo de reintegração.

"Agora estamos falando de um menino que durante os meses de prisão esteve e ainda está a serviço dos mais vulneráveis da cidade como voluntário da Caritas, tornando-se um autêntico recurso da nossa comunidade", explicou Mariani.

Com a nova decisão, Guede, que estava cumprindo pena no regime semiaberto, não terá que regressar para a prisão à noite, após trabalhar como voluntário na Cáritas, organização beneficente da Igreja Católica, de Viterbo. Ele ficará em um apartamento na região, mas terá ainda que cumprir algumas regras.

O único condenado pelo crime da estudante britânica estava trabalhando durante o dia em um centro de estudos criminológicos e voltava de noite para a cadeia. O marfinense havia recebido o benefício por causa do bom comportamento na prisão e por ter se dedicado aos estudos.

A previsão é de que o fim do cumprimento de sua pena seja em março de 2022.

"Ele está muito feliz, mas, como sempre, de poucas palavras", disse o advogado Facrizio Ballarini, ao comentar que Guede só disse "obrigado" ao receber a notícia.

Relembre -

O homicídio de Kercher ocorreu em 1º de novembro de 2007, na cidade italiana de Perúgia, onde ela estudava e dividia uma casa com a americana Amanda Knox. O corpo da jovem foi encontrado degolado, seminu e com uma série de feridas, e o caso logo chamou atenção pelas circunstâncias que o envolviam.

Ao lado de Guede, Knox e seu então namorado, Raffaele Sollecito, foram acusados de matar Kercher em meio a discussões sobre a limpeza da casa e jogos sexuais que fugiram do controle - hipótese descartada posteriormente.

A beleza da americana também foi outro chamariz para o homicídio. Na Itália, ela ficou conhecida como "a diaba com rosto de anjo". O ex-casal chegou a ser sentenciado após o DNA de Knox ter sido encontrado em uma faca com o sangue da vítima e ficou preso na Itália até 2011, quando a Corte de Cassação, tribunal supremo do país, anulou o processo por falhas na perícia.

No mesmo dia em que foi libertada, a americana voltou para a casa de sua família, em Seattle. No fim de 2013, a Corte de Cassação determinou a reabertura do caso, já que a inocência dela e de Sollecito não tinha sido comprovada, culminando em uma sentença condenatória do Tribunal de Apelação de Florença em janeiro do ano seguinte.

Contudo a decisão foi novamente derrubada pela Corte de Cassação, que não viu indícios de participação de Knox e Sollecito no assassinato e os absolveu em definitivo. Já Guede foi condenado por ter invadido a casa e matado Kercher, mas ele alega que conhecia a britânica e que estava na residência a convite dela.

Segundo sua versão, o homicídio ocorreu enquanto ele estava no banheiro, após uma discussão entre Kercher e Knox. (ANSA)

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