Após inundações, Veneza ficará isolada do mar por 3 dias

Sistema Mose foi acionado na manhã desta quarta-feira

Erro em previsão manteve Mose abaixado e permitiu alagamento de Veneza em 8 de dezembro
Erro em previsão manteve Mose abaixado e permitiu alagamento de Veneza em 8 de dezembro (foto: ANSA)
09:18, 09 DezVENEZA ZLR

(ANSA) - Após uma falha nas medições que levou ao alagamento de boa parte do centro histórico de Veneza na última terça-feira (8), os diques do sistema anti-inundação da cidade ficarão ativos por três dias para evitar novas enchentes.

As comportas do "Mose" foram acionadas às 7h da manhã desta quarta (9) e devem permanecer de pé ao menos até sábado (12), segundo a chefe da Superintendência do Ministério da Infraestrutura para obras públicas no nordeste da Itália, Cinzia Zincone.

"Estamos tentando calibrar as aberturas e os fechamentos da melhor maneira", declarou. Os boletins meteorológicos preveem diversas marés superiores a 130 centímetros acima do nível médio da água -gatilho definido pelo governo para acionar o Mose - para os próximos três dias.

Na última terça-feira, os diques não foram levantados porque a previsão era de uma cheia de 125 centímetros, mas a maré acabou superando os 130 centímetros e, como não havia mais tempo para acionar as comportas, boa parte do centro de Veneza ficou debaixo d'água.

O "Mose" ainda funciona em caráter emergencial e só deve ser concluído em dezembro de 2021, quando passará a ser acionado sempre que a "acqua alta" for superior a 110 centímetros. No último fim de semana, as barreiras permaneceram de pé por 48 horas consecutivas, um recorde em sua curta história.

A entrada em funcionamento do Mose foi antecipada após as inundações que paralisaram Veneza em novembro do ano passado. O projeto está em construção desde 2003, ao custo de 5,5 bilhões de euros, e sofreu diversos atrasos devido a escândalos de corrupção.

O objetivo dos diques é combater a "acqua alta", fenômeno mais comum entre o fim do outono e o início do inverno europeu e caracterizado pela invasão da Lagoa de Veneza pelas águas do Mar Adriático.

A maior "acqua alta" já registrada na cidade teve 1,94 metro, em 1966, mas, em novembro de 2019, ocorreram quatro marés superiores a 1,4 metro, algo inédito para um único mês em toda a história de Veneza. A maior delas, no dia 12, teve 1,87 metro. (ANSA)

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