Operação contra máfia 'ndrangheta mira políticos na Itália

Secretário de partido de centro foi alvo de mandado de busca

Lorenzo Cesa renunciou ao cargo de líder da União de Centro
Lorenzo Cesa renunciou ao cargo de líder da União de Centro (foto: ANSA)
09:35, 21 JanCATANZARO ZLR

(ANSA) - A polícia da Itália fez nesta quinta-feira (21) uma operação de busca e apreensão na casa do político Lorenzo Cesa, líder do partido União de Centro (UdC), em Roma, no âmbito de um inquérito contra a máfia 'ndrangheta.

Cesa, que já foi deputado dos parlamentos italiano e europeu, é investigado na operação "Baixo Perfil", que mira tentáculos da organização criminosa calabresa em todo o país.

Segundo o Ministério Público, o político é acusado de formação de quadrilha agravada por modalidades mafiosas. Os crimes teriam ocorrido em 2017, quando Cesa, que na época era eurodeputado, teria ajudado dois empresários supostamente ligados à 'ndrangheta a vencerem licitações públicas.

O político teria agido em parceria com Francesco Talarico (UdC), atual secretário de Orçamento da região da Calábria e que foi preso em regime domiciliar nesta quinta-feira.

Por meio de uma nota, Cesa disse ter sido notificado sobre um inquérito a respeito de fatos ocorridos em 2017, mas garantiu que é "totalmente estranho aos fatos" e que pedirá para ser escutado pelo Ministério Público "o quanto antes".

No entanto, o político renunciou ao cargo de secretário-geral da UdC "com efeito imediato". A União de Centro é um pequeno partido democrata-cristão e hoje conta com apenas três assentos no Parlamento, todos eles no Senado.

Os três senadores da sigla, Antonio De Poli, Antonio Saccone e Paola Binetti, divulgaram um comunicado no qual expressam "solidariedade" a Cesa e afirmam ter "confiança na magistratura".

"Baixo perfil"

A operação deflagrada nesta quinta executou 48 mandados de prisão, sendo 35 em regime domiciliar, contra suspeitos de envolvimento com a 'ndrangheta, multinacional do crime surgida na Calábria, sul da Itália, mas que hoje tem ramificações no mundo todo, inclusive no Brasil.

Entre os detidos estão supostos mafiosos, empresários e servidores públicos. Quase 100 milhões de euros em bens foram apreendidos pela polícia. (ANSA)

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