Draghi inicia consultas para formar governo na Itália

Ex-presidente do BCE precisa de apoio no Parlamento

Mario Draghi (com pastas na mão) chega à Câmara dos Deputados, em Roma, para negociar com partidos
Mario Draghi (com pastas na mão) chega à Câmara dos Deputados, em Roma, para negociar com partidos (foto: ANSA/ALESSANDRO DI MEO)
09:21, 04 FevROMA ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro encarregado da Itália, Mario Draghi, inicia nesta quinta-feira (4) uma série de reuniões com os partidos políticos representados no Parlamento para tentar formar um governo.

Ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), o economista de 73 anos foi convocado pelo chefe de Estado Sergio Mattarella para tentar dar fim à crise política que paralisa o país desde 13 de janeiro, quando o ex-premiê Matteo Renzi rompeu com o governo de Giuseppe Conte.

Draghi deixou sua casa em Città delle Pieve, 150 quilômetros ao norte de Roma, pouco depois das 9h da manhã (horário local) e chegou na sede da Câmara dos Deputados por volta de 11h. Seu objetivo é convencer os partidos a apoiá-lo como chefe de um governo de "alto nível e nenhuma coloração política", segundo as palavras de Mattarella.

Esse gabinete teria como metas redesenhar o plano italiano de utilização do fundo de recuperação da União Europeia para o pós-pandemia - do qual o país é o maior beneficiário -, acelerar a campanha de vacinação contra a Covid-19 e impulsionar a retomada econômica.

Até o momento, Draghi pode contar com o apoio declarado de partidos de centro-esquerda, mas ele precisará atrair pelo menos parte da coalizão conservadora liderada por Matteo Salvini ou o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento.

Contudo, tanto Salvini quanto o M5S indicaram que não querem dar o voto de confiança a Draghi: o primeiro por desejar eleições antecipadas, e o segundo por ser contra um governo "técnico". As lideranças do movimento antissistema ainda defendem Conte, porém seus parlamentares estão divididos sobre apoiar Draghi ou não.

Além disso, todos os partidos querem que o ex-presidente do BCE evite formar um gabinete exclusivamente técnico, como ocorreu com Mario Monti (2011-2013), cuja gestão ficou marcada pelas políticas de austeridade fiscal para superar a crise do euro.

Existe a hipótese de a coalizão conservadora se abster no voto de confiança, o que abaixaria o quórum mínimo e permitiria a Draghi obter maioria relativa no Parlamento. Nesse cenário, no entanto, o economista já iniciaria seu mandato fragilizado.

"O governo Draghi será a salvação da Itália. Ele colocou o euro em segurança quase 10 anos atrás e colocará em segurança o plano de recuperação para nossos filhos", disse o ex-premiê Renzi, artífice da crise política, ao jornal La Repubblica.

Já Salvini afirmou ao diário La Stampa que a antecipação das eleições continua sendo seu objetivo. "Se Draghi nos disser que votaremos daqui a dois anos, está claro que não poderemos apoiá-lo", declarou.

Caso não haja acordo em torno de Draghi, o presidente Mattarella pode se ver forçado a antecipar as eleições legislativas, que estão previstas apenas para o primeiro semestre de 2023. (ANSA)

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