Liderado por Grillo, M5S apoia Draghi e diz que será leal

Ex-presidente do BCE foi encarregado de formar governo na Itália

Draghi foi encarregado de formar governo na Itália
Draghi foi encarregado de formar governo na Itália (foto: ANSA)
11:07, 06 FevROMA ZCC

(ANSA) - Considerado uma peça-chave para dar fim à crise política na Itália, o antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) se mostrou disposto a apoiar um governo formado pelo primeiro-ministro encarregado Mario Draghi.

As negociações foram lideradas pelo fundador da legenda, Beppe Grillo, neste sábado (6). Embora tenha participado da reunião, o ex-comediante não participou da coletiva de imprensa, na qual o líder do M5S, Vito Crimi, anunciou a disponibilidade do partido.

O M5S é a sigla com maior bancada parlamentar e é uma das peças fundamentais para Draghi garantir uma maioria estável. Até o momento, o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) já conseguiu apoio de todos os partidos, com exceção dos Irmãos da Itália (FdI), de Giorgia Meloni, que defende novas eleições.

Durante seu discurso, Crimi pediu para Draghi não enfraquecer os rendimentos de cidadania e para "ter uma ambição solidária, ambientalista e pró-europeia", começando a partir do que já foi alcançado.

Ele informou que o próximo governo precisa ser baseado na experiência da última administração, formada pelo M5S, o Partido Democrático (PD), a coalizão progressista Livres e Iguais (LeU) e o Itália Viva (IV), do ex-premiê Matteo Renzi, responsável por deflagrar a atual crise política após deixar a base aliada.

"Reiteramos o conceito de que quando e se um novo governo for formado, estaremos sempre lá e com lealdade", afirmou.

Crimi ainda ressaltou a necessidade "essencial" de obter uma maioria política sólida, que pode apoiar um governo sólido, principalmente para superar as questões críticas que levaram ao fim do governo de Giuseppe Conte.

"Os atos praticados por alguma força política ainda estão presentes na nossa memória ", disse ele, fazendo referência ao IV.

Durante a consulta, o M5S chegou a apresentar uma proposta de um governo importante que tenha "vocação ambiental e inovadora, que deve ser combinada com uma política industrial que responda à necessidade de proteger a saúde dos italianos".

Antes de se reunir com Draghi, os membros do partido se encontraram com Grillo, Davide Casaleggio, filho de Gianroberto, outro fundador do M5S, e o premiê interino Giuseppe Conte para unir os posicionamentos.

De acordo com relatos, o retorno de Grillo a Roma e no cenário político é uma tentativa de evitar a divisão que estava se formando dentro do próprio movimento em relação ao apoio a Draghi, já que metade era a favor e a outra defendia um governo político e não técnico.

Com esta reunião, o ex-banqueiro encerrou a primeira rodada de negociações e deve falar com representantes sociais e sindicais na próxima segunda-feira (8). Na sequência, ele fará uma nova consulta com os políticos italianos para formar uma equipe.  (ANSA)

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