Populistas farão votação online sobre apoio a Draghi

Consulta aos eleitores do M5S será entre 10 e 11 de fevereiro

O premiê demissionário Giuseppe Conte com o fundador do M5S, Beppe Grillo, em foto de arquivo
O premiê demissionário Giuseppe Conte com o fundador do M5S, Beppe Grillo, em foto de arquivo (foto: ANSA)
13:52, 08 FevROMA ZLR

(ANSA) - O antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento da Itália, fará uma votação online entre seus filiados para decidir se apoia ou não um governo encabeçado pelo ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi.

Com cerca de 30% dos assentos na Câmara e no Senado, o M5S pode ser crucial para o economista garantir uma maioria segura para governar e colocar fim à crise política que paralisa a Itália desde 13 de janeiro. A votação entre os filiados ao movimento será em 10 e 11 de fevereiro, na plataforma online Rousseau.

"Poderão votar apenas aqueles que se inscreveram há pelo menos seis meses, com documento certificado", diz um texto publicado no blog do partido nesta segunda-feira (8).

Criada pela empresa de consultoria digital Casaleggio Associati, "dona" do M5S, a Rousseau é a principal ferramenta de democracia direta da sigla, mas não é auditada de forma independente.

A página é gerida pela Associação Rousseau, presidida por Davide Casaleggio, também responsável pela Casaleggio Associati e filho de Gianroberto Casaleggio (1954-2016), "ideólogo" do movimento. O site é financiado pelos próprios parlamentares do M5S, que precisam desembolsar 300 euros por mês para pagar as despesas.

Divisões

O partido populista não tem hoje uma posição unânime sobre apoiar ou não Draghi, economista que é um dos grandes símbolos do establishment europeu e um dos responsáveis pela salvação do euro no início da década passada, quando o M5S defendia o fim da moeda comunitária.

No entanto, a experiência de governo nos últimos dois anos e meio fez o movimento se aproximar da política tradicional, inclusive se aliando com forças do "sistema" - primeira a Liga, de extrema direita, e depois o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda -, uma prática até então condenável pelos expoentes do M5S.

Alas mais radicais lideradas pelo ex-deputado Alessandro Di Battista, apelidado ironicamente de "Che Guevara do M5S", rechaçam a hipótese de apoiar Draghi, porém os mais moderados indicam o desejo de embarcar no novo governo.

"É compreensível que existam algumas perplexidades, mas este é o momento de olhar para o sofrimento das pessoas e de se concentrar no bem do país", disse nesta segunda-feira (8) o premiê demissionário Giuseppe Conte, hoje a figura mais popular entre os eleitores do partido populista.

Fundador do M5S, o comediante Beppe Grillo defende que o movimento participe do novo governo, que já conta com apoio declarado do PD, do Força Itália (FI), de centro-direita, e do Itália Viva (IV), sigla de centro que derrubou Conte. A Liga, de Matteo Salvini, também se mostrou disponível a apoiar Draghi.

Até hoje, nunca uma eleição na plataforma Rousseau contrariou a vontade das lideranças do Movimento 5 Estrelas. (ANSA)

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