Draghi conclui nova rodada de consultas e prepara governo

Ex-presidente do BCE já recebeu apoio da maioria dos partidos

Mario Draghi após finalizar rodada de consultas nesta terça
Mario Draghi após finalizar rodada de consultas nesta terça (foto: ANSA)
17:52, 09 FevROMA ZCC

(ANSA) - O primeiro-ministro encarregado da Itália, Mario Draghi, finalizou nesta terça-feira (9) a segunda rodada de negociações com as forças políticas do país, na qual apresentou os principais pontos de seu programa de governo.

Agora, o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) dará início a definição de um gabinete e seu maior desafio é acomodar interesses tão distintos dentro de sua coalizão.

Durante esta nova fase de negociações, as legendas nanicas manifestaram mais uma vez o seu apoio a Draghi, assim como o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda; o Itália Viva (IV), de centro; o Força Itália (FI), de centro-direita. A única exceção continua sendo o Irmãos da Itália (FdI), de Giorgia Meloni, que confirmou seu "não" ao político.

Para o ex-premiê Silvio Berlusconi, do FI, a administração de Draghi será "de unidade nacional", para responder a emergência sanitária provocada pela pandemia do novo coronavírus Sars-CoV-2 e seus impactos, inclusive os econômicos.

As atenções, porém, estão voltadas para o Movimento 5 Estrelas (M5S), que contém a maior bancada no Parlamento e, a princípio, expressou seu apoio ao economista, mas decidiu consultar suas bases com uma votação online entre 10 e 11 de fevereiro.

Já o partido de extrema direita Liga, do ex-ministro do Interior Matteo Salvini, está cada vez mais disposto a confiar no governo de Draghi, que terá que lidar com a sigla e o PD - tradicionais rivais políticos - juntos.

Segundo Salvini, a reunião de hoje foi "útil e frutífera". "Falamos da Europa, o nosso objetivo é que a Itália volte a ser protagonista na Europa. Estamos interessados no interesse nacional na UE", afirmou.

O secretário do PD, Nicola Zingaretti, por sua vez, não impôs vetos a Draghi e afirmou não ter problemas em trabalhar em um governo que contará com a Liga. "Acreditamos que um conteúdo e uma visão claros são a garantia da seriedade, estabilidade, força e autoridade", ressaltou.

Apesar da rodada de consultas, ainda não está claro se o economista optará por um governo técnico, composto por figuras externas, político, com ministros que representam os partidos que darão o voto de confiança a Draghi, ou misto.

Programa de governo -

Nesta segunda fase das negociações para encerrar a crise política na Itália, o premiê encarregado apresentou os principais pontos de seu plano de governo, cujo texto integral será detalhado no Parlamento, no eventual dia da confiança.

O apoio dos partidos foi conquistado graças às promessas sobre transição genética, reforma tributária, promoção ambiental, além do reforço na campanha de vacinação contra a Covid-19 e reestrutura escolar.

Aos grupos parlamentares, Draghi teria dito que a reforma tributária não deveria incluir "novos impostos ou taxas" e que precisaria ser capaz de atacar o "mal endêmico" da evasão fiscal.

Entre os planos listados também está a reorganização dos subsídios no trabalho e a criação de empregos com investimentos públicos, principalmente para auxiliar os afetados pela emergência sanitária.

No entanto, um dos principais desafios de Draghi será o investimento dos 209 bilhões de euros dos fundos europeus no plano de recuperação pós-pandemia.

O programa de governo ainda prevê uma aceleração no plano de vacinação anti-Covid e prolongar o ano letivo até junho para recuperar o tempo perdido durante a emergência sanitária.

Já em relação à política externa, Draghi deixou claro que defenderá o europeísmo e o atlantismo - forte relação e cooperação com os Estados Unidos. (ANSA)

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