Apoio de Salvini a Draghi provoca impasse em negociações

Partido M5S adiou votação sobre governo e 'vetou' a Liga

Matteo Salvini já declarou apoio a Mario Draghi e criticou M5S por impor 'vetos'
Matteo Salvini já declarou apoio a Mario Draghi e criticou M5S por impor 'vetos' (foto: EPA)
12:41, 10 FevROMA ZLR

(ANSA) - Se Giuseppe Conte renunciou ao cargo de primeiro-ministro da Itália por não ter mais maioria no Parlamento, o premiê encarregado Mario Draghi pode enfrentar problemas por ter apoio demais.

Apenas um partido, o Irmãos da Itália (FdI), de extrema direita, declarou explicitamente que não dará seu voto de confiança ao economista, o que poderia significar uma ampla e segura maioria para o futuro governo.

No entanto, a eventual participação da Liga, partido de extrema direita liderado por Matteo Salvini, no gabinete Draghi vem provocando resistências nas outras forças parlamentares, a começar pelo populista Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada na Câmara e no Senado.

O M5S governou ao lado da Liga durante pouco mais de um ano, porém agora não quer nem pensar em fazer parte da mesma equipe ministerial que Salvini. Em reunião com Draghi na última terça-feira (9), o fundador do movimento, Beppe Grillo, pediu prioridade ao meio ambiente e que a Liga não integre o governo.

"Eu disse: 'Em primeiro lugar, a Liga não deve entrar, porque a Liga não entende nada de meio ambiente'. E ele me disse: 'Não sei, vamos ver...'", contou Grillo em um vídeo. Já nesta quarta (10), a deputada do M5S Carla Ruocco afirmou que Draghi terá de "fazer escolhas".

"Não se trata de vetos, a incompatibilidade está na natureza das coisas", acrescentou. O impasse fez o movimento adiar uma votação online entre seus filiados que começaria nesta quarta-feira para decidir sobre um eventual apoio ao ex-presidente do Banco Central Europeu.

O objetivo de Grillo é esperar uma declaração "pública" do primeiro-ministro encarregado a respeito da composição do governo antes de tomar uma decisão. Salvini, por sua vez, criticou a postura do comediante.

"Nós confirmamos nossa abordagem construtiva, responsável, positiva, o que não nos faz colocar vetos contra ninguém. É inacreditável o comportamento de Grillo e dos 5 Estrelas, que pedem ministérios e querem impor ao professor Draghi um governo sem a Liga", declarou.

Mas o M5S não é o único que vê com desconfiança uma possível aliança com Salvini. "Não é um segredo que preferimos uma coalizão mais homogênea e que enxergamos riscos em uma parceria entre forças diversas, como nós e a Liga, mas confiamos em Draghi", disse o vice-ministro da Economia Antonio Misiani, do Partido Democrático (PD), principal legenda de centro-esquerda da Itália.

Consultas

Convocado pelo presidente Sergio Mattarella para colocar fim à crise política que paralisa a Itália desde 13 de janeiro, quando o ex-premiê Matteo Renzi rompeu com o governo Conte, Draghi já realizou duas rodadas de consultas com os partidos e faz nesta quarta reuniões com governadores, prefeitos e representantes da sociedade civil.

A agenda inclui associações de bancos, indústrias, seguradoras, pequenas e médias empresas, agricultores, comerciantes, artesãos e cooperativas, além das ONGs ambientalistas WWF, Greenpeace e Legambiente.

Draghi também receberá sindicatos de trabalhadores, que pedem ao novo governo a prorrogação da proibição às demissões, prevista para terminar em março. (ANSA)  

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