Em votação online, partido populista decide apoiar Draghi

Beppe Grillo e Luigi Di Maio durante comício do M5S em 2018
Beppe Grillo e Luigi Di Maio durante comício do M5S em 2018 (foto: ANSA)
08:25, 12 FevROMA ZCC

(ANSA) - Os membros do partido populista Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento da Itália, decidiram apoiar Mario Draghi como primeiro-ministro, em uma votação online nesta quinta-feira (11).

Os filiados ao movimento responderam a seguinte pergunta: "Você está de acordo que o Movimento apoie um governo técnico-político que preveja um superministério para a transição ecológica e que defenda os principais resultados obtidos pelo Movimento, com as outras forças políticas indicadas pelo premiê encarregado Mario Draghi?".

Ao todo, 74.537 apoiadores do M5S votaram na plataforma online Rousseau durante oito horas, sendo que 44.177, cerca de 59,3%, disseram "sim" e 40,7% responderam "não".

O apoio do M5S era crucial para o economista garantir uma maioria segura para governar e colocar fim à crise política que paralisa a Itália desde 13 de janeiro, já que a legenda tem cerca de 30% dos assentos na Câmara e no Senado.

Após a divulgação do resultado, o ministro das Relações Exteriores da Itália, Luigi Di Maio, comemorou o apoio ao ex-presidente do Banco Central Europeu.

"Responsabilidade é o preço da grandeza. Hoje os nossos membros mostraram mais uma vez muita maturidade, fidelidade às instituições e sentido de pertencimento ao país", escreveu no Facebook.

O chanceler italiano ainda ressaltou que em "um dos momentos mais dramáticos da nossa história recente, o Movimento 5 Estrelas escolhe o caminho da coragem e da participação, mas sobretudo escolhe o caminho europeu, escolhe um conjunto de valores e direitos dos quais todos nos beneficiamos todos os dias e por trás dos quais, infelizmente, não raro, se escondem o egoísmo e o personalismo".

Por fim, Di Maio agradeceu ao fundador do M5S, o humorista Beppe Grillo, "pela grande contribuição oferecida nesta fase". "O pensamento é livre apenas quando as pessoas são livres".

A votação estava prevista para começar na última quarta (10), porém acabou adiada em meio ao risco de divisão do partido a respeito do ex-presidente do Banco Central Europeu. Uma ala mais "purista" rechaça a ideia de apoiar um símbolo do establishment, porém facções mais moderadas e as lideranças do partido, como Grillo e Di Maio, pregam uma postura pragmática.

Logo depois da votação, o partido de extrema direita Liga, do ex-ministro do Interior Matteo Salvini, alegou que essa "divisão" no M5S é preocupante.

"Preocupação pela ruptura do Movimento 5 Estrelas após a votação dos inscritos sobre o governo Draghi. Apesar dos acenos de Grillo, [Giuseppe] Conte, Di Maio e [Vito] Crimi, o partido está dividido", diz a Liga em nota, enfatizando que o papel da extrema direita e do Força Itália, de Silvio Berlusconi, "é ainda mais importante". (ANSA)

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