Draghi anuncia novo governo na Itália e encerra crise

Mario Draghi apresenta lista de ministros na Itália
Mario Draghi apresenta lista de ministros na Itália (foto: EPA)
18:22, 12 FevROMA ZLR

(ANSA) - Após quase 10 dias de negociações, o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi aceitou nesta sexta-feira (12) o cargo de premiê da Itália e apresentou uma lista de ministros ao presidente da República, Sergio Mattarella.

O economista e professor de 73 anos havia sido convocado pelo chefe de Estado no último dia 3 de fevereiro e, depois de duas rodadas de consultas com os partidos políticos, "dissolveu" a reserva com a qual aceitara o encargo de formar um governo.

Draghi e seus ministros tomarão posse ao meio-dia (8h em Brasília) deste sábado (13), no Palácio do Quirinale, sede da Presidência. Esse será o 67º governo em quase 75 anos de história republicana na Itália e o terceiro apenas na atual legislatura, iniciada em março de 2018.

O surgimento do novo Executivo põe fim a um mês de crise política no país, após o ex-premiê Matteo Renzi, do partido de centro Itália Viva (IV), ter retirado seu apoio ao governo de Giuseppe Conte, que acabou sendo forçado a renunciar por ter ficado sem maioria no Senado.

Gabinete misto

Inicialmente, o plano de Mattarella era que Draghi formasse um ministério tecnocrata e distante das disputas do dia a dia no Parlamento, mas o economista cedeu aos apelos dos partidos e formou um gabinete que une "técnicos" em algumas pastas cruciais, como a de Economia, com ministros políticos.

A equipe será formada por 23 ministros, sendo 15 homens e oito mulheres, e inclui representantes de todos os principais partidos que declararam apoio a Draghi, incluindo sete da gestão anterior.

Os provenientes do governo Conte são: Luigi Di Maio (Relações Exteriores), Stefano Patuanelli (Agricultura), Roberto Speranza (Saúde), Elena Bonetti (Igualdade), Dario Franceschini (Cultura), Lorenzo Guerini (Defesa) e Luciana Lamorgese (Interior).

Além de Lamorgese, uma advogada independente, a parte "técnica" do ministério é formada pelo diretor-geral do Banco da Itália, Daniele Franco (Economia), pelos reitores Patrizio Bianchi (Educação) e Cristina Messa (Universidade), pelo físico Roberto Cingolani (Transição Ecológica), pelo empresário Vittorio Colao (Inovação Tecnológica), pela ex-presidente da Corte Constitucional Marta Cartabia (Justiça), e pelo ex-presidente do Instituto Nacional de Estatística Enrico Giovannini (Infraestrutura e Transportes).

Já o magistrado Roberto Garofoli, juiz do Conselho de Estado, instância máxima da Justiça Administrativa, ficou com o estratégico posto de subsecretário da Presidência do Conselho dos Ministros, espécie de "chefe da Casa Civil" do governo italiano.

Coalizão heterogênea

Sem nunca ter sido eleito para cargos públicos e sem experiência na política parlamentar, Draghi terá a tarefa de liderar uma coalizão heterogênea que vai da extrema direita à esquerda, passando por populistas, liberais e sociais-democratas.

Três dos quatro grandes partidos desse governo de união nacional ficaram com três pastas cada um. O conservador Força Itália (FI), partido de Silvio Berlusconi, por exemplo, emplacou Mara Carfagna (Ministério do Sul e da Coesão), Mariastella Gelmini (Autonomias) e o veterano deputado Renato Brunetta (Administração Pública).

Já a ultranacionalista Liga, de Matteo Salvini, ficou com os ministérios do Desenvolvimento Econômico (Giancarlo Giorgetti), do Turismo (Massimo Garavaglia) e das Políticas para Pessoas com Deficiência), Erika Stefani.

O PD, maior força de centro-esquerda na Itália, emplacou Andrea Orlando (Trabalho), além de manter Dario Franceschini (Cultura) e Lorenzo Guerini (Defesa). O populista Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento, é o único com quatro ministros: Fabiana Dadone (Políticas Juvenis), Federico D'Incà (Relações com Parlamento), Luigi Di Maio (Relações Exteriores) e Stefano Patuanelli (Agricultura).

No entanto, a real força de Draghi no Parlamento será descoberta apenas no início da próxima semana, quando ele pedir o voto de confiança na Câmara e no Senado.

Segundo apuração da ANSA, o economista pedirá o voto de confiança no Senado na próxima quarta-feira (17), às 10h (horário local). Logo depois de fazer seu discurso, de acordo com fontes parlamentares, Draghi irá à Câmara dos Deputados para entregar o texto de suas declarações programáticas. 

 

Trajetória

Nascido em Roma, em 3 de setembro de 1947, Draghi tem 73 anos e diplomas de graduação pela Sapienza Universidade de Roma e doutorado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), ambos em economia.

A partir de 1975, deu aulas em algumas das principais universidades da Itália, como as de Trento, Pádua, Florença e Ca' Foscari (em Veneza), até 1991, quando assumiu o cargo de diretor-geral do Ministério do Tesouro, função que exerceria durante 10 anos, coordenando a privatização de estatais.

Em 2002, foi nomeado vice-presidente do banco Goldman Sachs e, no fim de 2005, assumiu o cargo de governador do Banco da Itália (o banco central do país europeu). Draghi ficaria no posto até outubro de 2011, quando renunciou para assumir o comando do Banco Central Europeu.

O economista já se definiu como "liberal-socialista" e é um europeísta convicto, mas pouco se sabe sobre seu posicionamento a respeito de outras questões, como o combate ao novo coronavírus e políticas sociais. (ANSA)

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