Draghi nomeia 'técnicos', mas prioriza políticos em novo governo

Mario Draghi acena para fotógrafos após aceitar cargo de primeiro-ministro da Itália
Mario Draghi acena para fotógrafos após aceitar cargo de primeiro-ministro da Itália (foto: EPA)
18:02, 12 FevROMA ZLR

(ANSA) - "Faço um apelo a todas as forças políticas no Parlamento para que apoiem um governo de alto nível e que não se identifique com qualquer fórmula política."

Foi com essas palavras que o presidente da Itália, Sergio Mattarella, se dirigiu à população e, principalmente, aos partidos em 2 de fevereiro, um dia antes de encarregar o ex-mandatário do Banco Central Europeu (BCE) Mario Draghi de formar um novo governo para pôr fim à crise que paralisa o país desde 13 de janeiro.

O temor inicial na Itália era de que o economista formasse um gabinete tecnocrata aos moldes de Mario Monti entre 2011 e 2013, mas apelos dos partidos o convenceram a entregar uma fatia majoritária do governo para o mundo político.

Dos 23 ministros do governo Draghi, 15 (65% do total) pertencem aos partidos que prometeram seu voto de confiança ao economista no Parlamento. O componente político do futuro Executivo inclui nomes como o veterano deputado Renato Brunetta (ministro da Administração Pública), aliado de Silvio Berlusconi, e Giancarlo Giorgetti (Desenvolvimento Econômico), correligionário de Matteo Salvini na ultranacionalista Liga.

Mas a esquerda também emplacou nomes tradicionais no futuro ministério, como Dario Franceschini, que dará continuidade a sua gestão na pasta da Cultura; Andrea Orlando (Trabalho), que já foi ministro do Meio Ambiente e da Justiça; e Roberto Speranza, que segue na Saúde.

Os dois primeiros são do Partido Democrático (PD), um grande consórcio de forças de centro-esquerda, enquanto o último é da coalizão Livres e Iguais (LeU), grupo mais progressista com representação no Parlamento.

Até mesmo o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), que tem pouco mais de 10 anos de existência, emplacou nomes já bastante conhecidos do eleitorado, como o chanceler Luigi Di Maio, que já foi vice-premiê, ministro do Desenvolvimento Econômico e segue na pasta de Relações Exteriores.

Isso significa que, sem nunca ter sido eleito para cargos públicos e sem experiência na política parlamentar, Draghi terá a tarefa de liderar uma coalizão heterogênea que vai da extrema direita à esquerda, passando por populistas, liberais e sociais-democratas.

Salvini, por exemplo, já mostrou contrariedade à manutenção de Speranza na Saúde. "Ou ele muda de postura, ou então precisará de ajuda, digamos assim", afirmou o senador ao Corriere della Sera.

Ministérios técnicos

O componente técnico do governo ficou reservado a oito ministros, além do magistrado Roberto Garofoli, que exercerá o estratégico cargo de subsecretário da Presidência do Conselho dos Ministros, espécie de "chefe da Casa Civil".

Além disso, Draghi chamou o diretor-geral do Banco da Itália (banco central do país), Daniele Franco, para comandar o Ministério da Economia e coordenar a revisão do plano de utilização dos recursos do fundo de recuperação da União Europeia, do qual o país é o maior beneficiário, com direito a mais de 200 bilhões de euros.

Os ministérios da Educação e da Universidade ficarão com Patrizio Bianchi e Maria Cristina Messa, ex-reitores das universidades de Ferrara e Milão-Bicocca, respectivamente. O físico Roberto Cingolani deixará o cargo de executivo do poderoso grupo aeroespacial Leonardo para chefiar o cobiçado Ministério da Transição Ecológica, principal novidade do novo gabinete.

A lista de ministros "técnicos" ainda inclui a advogada Luciana Lamorgese, que segue na pasta do Interior, o empresário Vittorio Colao (Inovação Tecnológica), a ex-presidente da Corte Constitucional Marta Cartabia (Justiça) e o ex-presidente do Instituto Nacional de Estatística Enrico Giovannini (Infraestrutura e Transportes).

Além da destinação dos fundos da União Europeia, o novo governo terá a tarefa de acelerar a campanha de vacinação na Itália contra a Covid-19, tirar o país da pandemia e conduzi-lo por um caminho de retomada econômica. (ANSA)

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