Partidos vivem expectativa por composição do governo Draghi

Ex-presidente do BCE ainda não anunciou seu ministério

Mario Draghi foi convocado para formar governo na Itália
Mario Draghi foi convocado para formar governo na Itália (foto: EPA)
13:49, 12 FevROMA ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro encarregado da Itália, Mario Draghi, se reunirá nesta sexta-feira (12) com o presidente Sergio Mattarella.

O encontro está agendado para 19h (15h em Brasília), e a expectativa é de que o ex-mandatário do Banco Central Europeu "dissolva" a reserva com a qual aceitou o encargo de formar um novo governo e apresente os nomes de seu futuro ministério.

Após a confirmação do apoio do populista Movimento 5 Estrelas (M5S), caiu o último entrave à formação de um governo liderado pelo ex-presidente do BCE. Com o quadro de sua coalizão completo, Draghi, convocado às pressas por Mattarella para colocar fim à crise política que paralisa o país há um mês, pode finalmente montar o quebra-cabeça de seu ministério.

Os partidos, a imprensa e o público vivem a expectativa de saber quem estará no gabinete do economista, que tem mantido silêncio desde o início das negociações e deixado vazar poucas informações sobre as nomeações.

Draghi pode voltar a Mattarella para comunicá-lo sobre o novo governo ainda nesta sexta-feira (12), mas algumas notícias dão conta de que essa etapa arrisca ficar para o fim de semana. O ex-presidente do BCE foi convocado para formar um gabinete tecnocrata, mas praticamente todos os partidos pediram para ele reconsiderar e montar um ministério ao menos parcialmente "político".

Apesar das incertezas, a expectativa na Itália é de que Draghi peça o voto de confiança do Parlamento no início da semana que vem. Dos grandes partidos do país, apenas o Irmãos da Itália (FdI), de extrema direita, disse que não apoiará formalmente o economista.

No entanto, Draghi terá a tarefa de acomodar os interesses de legendas que vão da ultranacionalista e eurocética Liga ao social-democrata e europeísta Partido Democrático (PD), passando pelo populista M5S, pelo conservador Silvio Berlusconi e pelo Itália Viva (IV), legenda de centro que derrubou Giuseppe Conte ao retirar seu apoio ao governo em 13 de janeiro.

"A Covid marcou uma mudança de época. São aquelas passagens, como as guerras, que deixam um sinal, e para reconstruir o país é preciso deixar de lado ideologias e preconceitos. Por enquanto, deixemos para trás as brigas, soberanistas, europeístas, todos devem trabalhar juntos", disse o secretário da Liga, senador Matteo Salvini, que assumiu um discurso moderado e de pleno apoio a Draghi.

Programa

O futuro governo terá como prioridades redesenhar o plano italiano de utilização do fundo de recuperação da União Europeia para o pós-pandemia - do qual o país é o maior beneficiário -, acelerar a campanha de vacinação contra a Covid-19 e impulsionar a retomada econômica.

As declarações dadas pelos líderes partidários nos últimos dias também ajudam a entender um pouco do programa de Draghi: uma reforma fiscal baseada na taxação progressiva; manter a renda básica de cidadania (bandeira do M5S), porém investindo no tecido produtivo; e a criação de um superministério para a transição ecológica, outra exigência do movimento populista. (ANSA)

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