Antes de voto de confiança, Draghi precisa lidar com discussões na base

Apelo por união e silêncio não durou 48 horas na Itália

Draghi ainda nem recebeu o voto de confiança, mas já precisa lidar com rivalidades em sua base
Draghi ainda nem recebeu o voto de confiança, mas já precisa lidar com rivalidades em sua base (foto: ANSA)
09:02, 16 FevROMA ZGT

(ANSA) - O novo primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, já enfrenta problemas em manter sua base política unida antes mesmo de passar pelo voto de confiança no Parlamento, marcado para a quarta-feira (17).

Não durou 48 horas o apelo por "união" e "silêncio" feito durante a primeira reunião ministerial no sábado (13), pois a troca de farpas entre rivais históricos e os encontros "paralelos" já foram registrados nesta segunda-feira (15).

Draghi havia pedido a seus aliados que não se pronunciassem "além dos fatos" para não causar nenhum tipo de crise antes do voto do Parlamento.

Esse era um dos maiores temores sobre a estabilidade, já que o novo governo envolve o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), o de centro-esquerda Partido Democrático (PD), o centrista Itália Viva (IV), o conservador Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi, e a sigla de extrema-direita Liga.

O jornal "Il Fatto Quotidiano" flagrou nesta segunda-feira a saída do líder da Liga, Matteo Salvini, e do secretário do PD, Nicola Zingaretti, da sede do poder legislativo de maneira bastante discreta.

Após a revelação do portal, o ultranacionalista confirmou que o encontro foi para "falar de trabalho" e que é preciso "se aproximar dos partidos sociais". Salvini ainda informou que está se reunindo sim com outros líderes por conta das coisas que não concorda no governo - ignorando o pedido de Draghi.

Durante todo o fim de semana, o representante da extrema-direita havia criticado a gestão da Saúde, do ministro Roberto Speranza ao comissário extraordinário para a crise da Covid-19, Domenico Arcuri, passando ainda pelos técnicos que orientam a pasta, especialmente, Walter Ricciardi.

Outras críticas, dessa vez por parte do IV, são sobre a reforma judicial proposta pelo ex-ministro da Justiça Alfonso Bonafede, que deve entrar na pauta do Parlamento nesta semana ainda. As polêmicas mudanças foram o motivo final para que o ex-premiê Giuseppe Conte renunciasse para evitar a derrubada de seu governo.

Uma das questões mais críticas neste momento é dar equilíbrio interno às forças políticas, já que serão nomeados 40 subsecretários para os mais diversos setores, incluindo as do Serviço Secreto, outro ponto de ruptura do IV com Conte, e de Assuntos Europeus. Segundo fontes do governo, Draghi pode fazer uma mistura entre técnicos e políticos para tentar manter uma certa paz.

Nessa divisão, 12 vagas seriam para o M5S, 8 para a Liga, 6 ou 7 para o PD e FI, e 1 ou 2 para o Itália Viva. As demais, iriam para pessoas não ligadas aos partidos.

Staff premiê -

Além das polêmicas, Draghi nomeou nesta terça-feira alguns membros de seu novo Gabinete. Foram escolhidos Antonio Funiciello como chefe de Gabinete e Roberto Chieppa como secretário-geral.

Ainda não há a confirmação oficial, mas Draghi deve escolher como sua porta-voz Paola Ansuini, que atualmente é chefe de comunicação do Banco Central (Bankitalia). (ANSA).
   

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