Mario Draghi obtém voto de confiança do Senado da Itália

Placar terminou em 262 a 40 em favor do governo Draghi
Placar terminou em 262 a 40 em favor do governo Draghi (foto: ANSA)
07:22, 18 FevROMA ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, obteve nesta quarta-feira (17) o voto de confiança do Senado com ampla maioria, confirmando o apoio pluripartidário a seu governo de união nacional.

Com exceção do Irmãos da Itália (FdI), de extrema direita, todos os grandes partidos deram seu voto de confiança ao ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), apesar de algumas dissidências já esperadas na base do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento.

Com apenas duas abstenções, o placar terminou em 262 a 40 em favor do governo Draghi, que ainda passará pelo voto de confiança na Câmara nesta quinta-feira (18) antes de entrar plenamente em operação. O "sim" dos deputados já é dado como certo.

Além do M5S, Draghi reúne em sua base a Liga, legenda de extrema direita liderada por Matteo Salvini; o conservador moderado Força Itália (FI), de Silvio Berlusconi; o Itália Viva (IV), de centro; o Partido Democrático (PD), de centro-esquerda; e a coalizão Livres e Iguais (LeU), de esquerda; além de representantes de minorias linguísticas e dos italianos no exterior.

Ocupando um cargo político pela primeira vez na vida, o ex-presidente do BCE terá o desafio de acomodar interesses distintos de partidos historicamente adversários. Os pró-migrantes PD e LeU, por exemplo, coabitarão o governo com o ultranacionalista Salvini, que, por sua vez, vai conviver com o europeísmo da centro-esquerda e da centro-direita.

Já o M5S, que governou com a Liga e o PD, separadamente, nos últimos dois anos e meio, agora dividirá o ministério também com o partido de Berlusconi, o que vem provocando insatisfações em suas bases.

Das 23 pastas do governo Draghi, 15 foram repartidas entre as legendas políticas: M5S com quatro, PD, Liga e FI com três cada e LeU e IV com um. Já ministérios estratégicos para os objetivos de Draghi, como Economia (Daniele Franco), Educação (Patrizio Bianchi) e Transição Ecológica (Roberto Cingolani) foram entregues a "técnicos".

As principais metas do novo governo serão reescrever o plano para destinação do Fundo de Recuperação da União Europeia para o pós-pandemia, acelerar a campanha de vacinação contra a Covid-19 e estimular a retomada das atividades sociais e da economia.

O governo Draghi será o 67º em quase 75 anos de história republicana na Itália e o terceiro apenas na atual legislatura, iniciada em março de 2018.

Discurso -

Em seu discurso no Senado nesta quarta-feira, antes do voto de confiança, Draghi pediu união aos partidos e afirmou que seu governo não terá identificação com nenhuma tendência política.

"Esse é o terceiro governo desta legislatura. Não há nada que me faça pensar que possa ser bem-sucedido sem o apoio convicto deste Parlamento. É um apoio que não se baseia em alquimias políticas, mas no espírito de sacrifício com o qual mulheres e homens enfrentaram o último ano, no seu vibrante desejo de renascer, de voltar mais fortes. Hoje, a união não é uma opção, a união é um dever. Mas um dever guiado por aquilo que une todos: o amor pela Itália", disse o primeiro-ministro.

Falando em "responsabilidade nacional", Draghi prometeu "reformas" e definiu o novo coronavírus como "inimigo de todos".

"O Executivo que tenho a honra de presidir, especialmente em uma situação dramática como a que estamos vivendo, é simplesmente um governo do país, não precisa de nenhum adjetivo que o defina. Resume a vontade, a consciência e o senso de responsabilidade das forças políticas que o apoiam e às quais foi pedida uma renúncia pelo bem de todos", declarou.

O economista ainda afirmou que o primeiro desafio de sua gestão será distribuir "rápida e eficientemente" as vacinas contra o novo coronavírus pelo país. Após um início veloz, com 1 milhão de vacinados em pouco menos de 20 dias, a Itália tem registrado uma desaceleração na campanha de imunização desde a segunda quinzena de janeiro, especialmente devido aos atrasos nas entregas da Pfizer, Moderna e AstraZeneca.

"A velocidade é essencial não apenas para proteger as pessoas e suas comunidades sociais, mas também para reduzir a possibilidade de surgimento de outras variantes do vírus", disse.

Draghi discursou durante 53 minutos e ainda defendeu políticas monetárias expansionistas e a "irreversibilidade" do euro, prometeu investimentos em pesquisa e políticas de igualdade de gênero e anunciou que pretende confiar a reforma fiscal a um grupo de "especialistas", preservando o princípio da progressividade.

Além disso, assim como todos os governos anteriores na Itália, o primeiro-ministro cobrou uma reforma no sistema de refúgio na União Europeia e a criação de uma política de repatriações no bloco.

Para o alto representante da União Europeia (UE), Josep Borrell, a postura do ex-presidente do BCE "lembra a essência da integração europeia".

Em publicação no Twitter, Borrell ressalta um trecho do discurso de Draghi no Senado. "Os Estados-nação continuam sendo a referência de nossos cidadãos, mas nas áreas definidas por sua fraqueza eles renunciam à soberania nacional para adquirir soberania compartilhada".

Réplicas -

Antes da votação, Draghi apresentou suas réplicas logo depois do debate sobre a confiança. Em seu discurso, ele confirmou o compromisso do governo de inserir na Constituição os "conceitos" de ambiente e desenvolvimento sustentável sobre os quais o Senado está a trabalhar em um projeto de lei.

Além disso, o economista ressaltou a importância "essencial" de envolver as autoridades regionais e municipais, bem como os parceiros sociais, nas "coisas" que o governo pretende fazer.

Falando sobre o uso dos fundos europeus, Draghi afirmou que a oportunidade do plano "Next Generation UE" ("Próxima Geração") deve ser aproveitado para investimentos em capital humano e novas tecnologias. "A cultura em todas as suas formas é essencial para o crescimento e bem-estar da Itália", disse.

Draghi ainda defendeu uma "resposta mais eficaz e duradoura" para a crise migratória e falou sobre a reabertura do turismo depois da pandemia do coronavírus. (ANSA)

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