Partido populista expulsará senadores que votaram 'não' a Draghi

Mario Draghi passou pelo voto de confiança do Senado com apoio pluripartidário
Mario Draghi passou pelo voto de confiança do Senado com apoio pluripartidário (foto: ANSA)
09:37, 18 FevROMA ZLR

(ANSA) - O partido populista Movimento 5 Estrelas (M5S), dono da maior bancada no Parlamento da Itália, vai expulsar os 15 senadores que votaram "não" na ratificação do governo de Mario Draghi na última quarta-feira (17).

O economista obteve o voto de confiança do Senado com placar de 262 a 40, além de duas abstenções, confirmando o apoio pluripartidário à sua gestão. No entanto, entre os 40 contrários estão 15 parlamentares do M5S, que ocupa quatro ministérios no governo Draghi, maior número entre todos os partidos.

"Os 15 senadores que votaram 'não' se colocam na oposição. Por tal motivo, não poderão mais fazer parte do grupo parlamentar do movimento no Senado", escreveu o líder político do M5S, Vito Crimi, em mensagem no Facebook.

"Sei que esta decisão não agradará alguns, mas se quem pensa diferentemente merece respeito, o mesmo respeito se deve a quem coloca de lado as próprias posições pessoais e contribui para o trabalho de um grupo que não tem outro objetivo que não seja servir aos cidadãos do país", acrescentou.

Em março de 2018, com menos de 10 anos de existência, o M5S havia furado a polarização esquerda-direita na Itália e alcançado 32% dos votos, tornando-se o primeiro partido antissistema a vencer eleições legislativas em uma das grandes democracias do Ocidente.

Desde então, o movimento, que era radicalmente contra alianças com partidos tradicionais, governou em coalizão com a extrema direita, com a centro-esquerda e agora faz parte de uma base que reúne praticamente todos os grupos políticos no Parlamento.

As guinadas do M5S primeiro afastaram progressistas que o viam como uma nova esquerda e depois desiludiram aqueles que o escolheram por seu discurso antissistema e eurocético. Desde 2018, o movimento já perdeu 30 senadores (incluindo os 15 que votaram "não" a Draghi), quase todos expulsos, embora continue com a maior bancada no Parlamento.

Na semana passada, um dos principais expoentes do partido, o ex-deputado Alessandro Di Battista, apelidado de "Che Guevara do M5S", já havia anunciado sua saída da sigla por causa do apoio ao novo primeiro-ministro.

As últimas pesquisas colocam o M5S em quarto lugar, atrás da Liga (extrema direita) e do Partido Democrático (centro-esquerda) - as duas legendas com quem se aliou nos governos de Giuseppe Conte - e do ultranacionalista Irmãos da Itália (FdI), em ascensão no espectro conservador. (ANSA)

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