AstraZeneca reduz entrega de vacinas na Itália e irrita governadores

Enfermeira de Nápoles, sul da Itália, com caixa de vacina da AstraZeneca
Enfermeira de Nápoles, sul da Itália, com caixa de vacina da AstraZeneca (foto: ANSA)
14:25, 21 FevROMA ZLR

(ANSA) - A multinacional anglo-sueca AstraZeneca cortou mais uma vez o fornecimento de doses de sua vacina anti-Covid à Itália, justamente no momento em que o país se preparava para acelerar sua campanha de imunização após semanas de problemas na distribuição por parte das indústrias farmacêuticas.

De acordo com governos regionais, a AstraZeneca devia ter entregado 566 mil doses na semana passada, mas forneceu apenas 506 mil, uma redução de cerca de 10%.

O plano de vacinação na Itália já está atrasado devido aos problemas na logística da Pfizer, da Moderna e da própria AstraZeneca, cujo imunizante será usado para vacinar menores de 65 anos, começando por categorias como professores e policiais.

"Precisamos de uma mudança de rota na campanha de vacinação, que está andando devagar não por problemas de organização, mas de fornecimento", disse o governador da Emilia-Romagna e presidente da Conferência das Regiões, Stefano Bonaccini, no último sábado (20).

"É gravíssima essa redução repentina", reforçou Nicola Zingaretti, governador do Lazio, onde fica a capital Roma. "Nós estamos fazendo de tudo, mas essa incerteza torna tudo mais difícil", disse.

Já o governador da Lombardia, Attilio Fontana, cobrou que o novo primeiro-ministro Mario Draghi "faça ouvir a sua voz na Europa para proteger os interesses dos italianos".

Por meio de um comunicado, a AstraZeneca explicou que "trabalha para respeitar o compromisso de entregar à Itália 4,2 milhões de doses no primeiro trimestre, com o objetivo de superar os 5 milhões".

Devido aos atrasos nas vacinas aprovadas pela União Europeia e encomendadas pela Itália, algumas regiões, como o Vêneto, se movimentam para adquirir imunizantes de forma independente. O governador Luca Zaia disse já ter recebido várias ofertas, mas não deu maiores detalhes.

Tanto a AstraZeneca quanto a Pfizer garantem que não vendem vacinas para intermediários, apenas para governos, e o Ministério Público da Itália investiga supostas fraudes no mercado paralelo de imunizantes.

Até o momento, 3,46 milhões de vacinas anti-Covid já foram aplicadas na Itália, sendo que 1,33 milhão de pessoas já receberam as duas doses, mais de 2% da população nacional. (ANSA)  

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