Premiê da Itália quer acelerar vacinação para combater variantes

Draghi ainda pressionou farmacêuticas 'inadimplentes'

Draghi ainda pressionou farmacêuticas 'inadimplentes'
Draghi ainda pressionou farmacêuticas 'inadimplentes' (foto: ANSA)
07:53, 26 FevROMA ZCC

(ANSA) - Durante discussão com líderes europeus nesta quinta-feira (25) por videoconferência, o primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, defendeu uma aceleração da vacinação anti-Covid na União Europeia (UE) para reduzir a propagação das variantes do novo coronavírus.

"Precisamos ir mais rápido", insistiu o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE), segundo fontes diplomáticas.

Diante do surgimento das novas mutações do Sars-CoV-2 e do atraso no calendário de imunização devido ao adiamento da entrega das doses por parte das farmacêuticas, principalmente da AstraZeneca, Draghi teria ressaltado que as empresas que não cumprirem seus compromissos não devem ser desculpadas.

De acordo com relatos, o premiê italiano usou os exemplos do Reino Unido e dos Estados Unidos, que guardam as vacinas para eles, e perguntou por que a Europa não pode fazer o mesmo. Além disso, ele pediu uma abordagem comum para testes e coordenação para autorização de exportação.

Durante a conversa, Draghi também demonstrou seu apoio a Covax, ferramenta para o acesso global às vacinas anti-Covid, mas destacou um problema de credibilidade com os cidadãos europeus se as doações forem iniciadas neste momento.

O economista disse que entende perfeitamente as razões morais, mas não é a favor de fazer a distribuição agora, porque a União Europeia está muito atrasada para imunizar os cidadãos do bloco.

Para ele, existe a possibilidade de "dar prioridade às primeiras doses" da vacina para acelerar a campanha.

Ao todo, 51,5 milhões de doses de vacinas foram distribuídas na UE, sendo que, até o momento, 29,17 milhões de ampolas foram aplicadas. Segundo apuração feita em Bruxelas, os dados foram apresentados pela presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, na videoconferência das lideranças.

A taxa de vacinação, portanto, aumentou para 8% (5% receberam a primeira dose, 3% as duas). A meta continua sendo imunizar 70% da população adulta, ou 255 milhões de pessoas, até o final do verão.

A cúpula dos 27 representantes dos países-membros sobre a coordenação das medidas contra a Covid-19, liderada pelo presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, começou com a tradicional troca de pontos de vista com o chefe do Parlamento Europeu, David Sassoli, informou o porta-voz Barend Leyts, no Twitter.

"O jeito europeu nos permitiu evitar a competição entre os países europeus e evitar que os países ricos obtenham a maior parte das vacinas. Oponho-me veementemente a qualquer acordo bilateral e peço que sejam claros em evitar qualquer tentação de nacionalismo nas vacinas", alertou Sassoli.

Segundo o presidente do Parlamento, "uma abordagem comum também nos permite monitorar, investigar e sancionar qualquer tentativa de fraude contra os Estados-membros". "A nossa é uma corrida contra o tempo".

Na reunião, Michel estruturou o debate em cinco temas principais, começando pela necessidade de acelerar a vacinação, fazendo análises sobre autorização, produção e distribuição dos imunizantes. Em seguida, o tema discutido foi a emergência das novas variantes e, em seguida, as restrições e implicações para viagens e o mercado único, certificados de vacinação e solidariedade internacional.

"O encerramento das fronteiras por alguns Estados-membros está a prejudicar todo o nosso mercado único. Peço que todas as restrições sejam levantadas sempre que possível", pediu o comissário europeu para o Mercado Interno, Thierry Breton, antes do encontro. (ANSA)

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