Suspensão de lote da AZ aumenta confusão sobre vacinas na Itália

Ampola de vacina da AstraZeneca na Itália
Ampola de vacina da AstraZeneca na Itália (foto: ANSA)
08:02, 12 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Se há exata uma semana a Itália se tornava o primeiro país da União Europeia a bloquear a exportação de vacinas da AstraZeneca, nesta quinta-feira (11) o país foi chacoalhado pela notícia da suspensão do uso de um lote do imunizante anti-Covid da empresa anglo-sueca.

A medida atinge o lote ABV2856, cuja utilização está paralisada em vários membros da UE devido a dois casos graves de coagulação sanguínea registrados em pessoas vacinadas na Áustria, país que desencadeou as suspensões e que já foi seguido por Estônia, Letônia, Lituânia e Luxemburgo.

Dinamarca, Noruega e Islândia (os dois últimos não fazem parte da UE) foram ainda mais longe e suspenderam o uso de todos os lotes da vacina da AstraZeneca.

Apesar de as agências sanitárias nacionais afirmarem que ainda não há comprovação de qualquer conexão entre o imunizante e os problemas de coagulação sanguínea, as suspensões podem ser um duro golpe em uma vacina que já era vista com desconfiança em parte da UE por causa das restrições iniciais para idosos.

Na Itália, que liberou recentemente a fórmula da AstraZeneca para todas as faixas etárias adultas, dezenas de moradores de Catanzaro, na Calábria, telefonaram a centros de vacinação para cancelar seus horários marcados ou pedir pelo imunizante da Pfizer.

Em um chat no WhatsApp, professores da Campânia já fazem campanha para não tomar a segunda dose.

Investigações

Os casos que levaram à suspensão do lote ABV2856 na Áustria são de uma enfermeira que morreu de múltiplas tromboses 10 dias após a vacinação e o de uma pessoa internada com embolia pulmonar também depois de ter sido imunizada.

Já na Itália, o Ministério Público de Siracusa, na Sicília, abriu uma investigação sobre a morte de um militar por parada cardíaca um dia após ter sido vacinado com um imunizante do lote ABV2856. Como parte do inquérito, a Arma dos Carabineiros, polícia militar italiana, apreendeu todas as vacinas desse lote em circulação no território nacional.

Segundo a Agência Italiana de Medicamentos (Aifa), sua decisão de suspender o uso do lote foi tomada por "precaução", após o relato de "alguns eventos adversos graves". No entanto, a própria Aifa ressalta que, até o momento, "não foi estabelecido qualquer nexo de causalidade entre a administração da vacina e tais eventos".

A procuradora que abriu o inquérito em Siracusa, Sabrina Gambino, afirmou à ANSA que não é movida pelo desejo de "criar alarmismo", mas sim pela "tutela da saúde pública". Mesmo alegando a vontade de não desatar o pânico, Gambino inscreveu 10 pessoas em um registro de investigados por "homicídio culposo" (quando não há intenção de matar) no caso do militar morto.

Entre os alvos do inquérito estão representantes da cadeia de distribuição das doses da AstraZeneca e funcionários do hospital militar onde ocorreu a vacinação. Em Catânia, também na Sicília, o procurador Carmelo Zuccaro, conhecido por suas ações contra ONGs que salvam pessoas no Mediterrâneo, investiga a morte de um policial por hemorragia cerebral após ele ter tomado a vacina.

A EMA, agência de medicamentos da União Europeia, veio a público para tentar apagar o incêndio e disse que é possível continuar usando o imunizante da AstraZeneca enquanto os casos de coágulos são investigados. Entre 3 milhões de pessoas imunizadas com essa fórmula no Espaço Econômico Europeu, a agência detectou apenas 22 eventos adversos desse tipo.

"Atualmente, não há indicações de que a vacinação tenha causado essas patologias, que não são elencadas como efeitos colaterais dessa vacina. A posição do comitê de segurança da EMA é de que os benefícios da vacina continuam superando os riscos", disse a agência.

A fórmula da AstraZeneca continua sendo usada em dezenas de países do mundo, como Brasil, França, Índia e Reino Unido. Até o momento, apenas 3,1% da população da União Europeia foi completamente vacinada contra a Covid-19, índice que sobe para 7% quando se considera somente a primeira dose.

O bloco aprovou nesta quinta-feira o uso emergencial da vacina da Janssen, que é de dose única e a grande aposta de Bruxelas para acelerar a campanha de imunização. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA