Autoridades italianas tentam conter preocupação com vacina da AstraZeneca

Ampola de vacina da AstraZeneca em centro de imunização em Milão
Ampola de vacina da AstraZeneca em centro de imunização em Milão (foto: ANSA)
15:38, 12 MarSÃO PAULO ZLR

(ANSA) - Enquanto milhares de italianos telefonam para desmarcar seus horários de vacinação, autoridades políticas e sanitárias do país vieram a público nesta sexta-feira (12) para tentar conter o pânico disseminado pela suspensão do uso de um lote do imunizante anti-Covid da AstraZeneca.

A distribuição do lote ABV2856 foi paralisada na Itália e em outros países da União Europeia devido ao relato de casos graves de coagulação sanguínea em algumas pessoas vacinadas. A medida é apenas uma precaução, mas alguns elementos adicionais contribuíram para disseminar preocupação entre os italianos.

O principal deles é uma investigação do Ministério Público de Siracusa, na Sicília, sobre a morte por ataque cardíaco de um militar um dia depois de ele ter sido vacinado com o imunizante do lote.

O que chamou atenção foi o fato de o MP apurar a hipótese de "homicídio culposo" (quando não há intenção de matar), embora ainda não existe nenhum elemento que possa ligar o falecimento á vacina ABV2856.

Inicialmente, o Ministério Público havia inscrito 10 pessoas na lista de investigados, mas depois reduziu o número para quatro, incluindo o presidente da AstraZeneca na Itália, Lorenzo Wittum. As outras três são um médico e um enfermeiro do hospital militar onde foi realizada a vacinação e um socorrista do serviço de emergência.

Na mesma Sicília, pelo menos 7 mil pessoas cancelaram seus horários marcados para tomar a vacina, segundo o secretário regional de Saúde, Ruggero Razza. Já na província autônoma de Bolzano, no extremo-norte do país, cerca de 5% das pessoas que já tinha agendado desistiram de se imunizar.

A suspensão do lote, embora por precaução, pode aumentar a desconfiança com uma vacina que já era vista com receio por parte da população devido às restrições iniciais para idosos - hoje a fórmula da AstraZeneca pode ser aplicada em todos os adultos.

"Não podemos gerar um alarmismo injustificado, porque até agora não foi demonstrado nenhum nexo de causalidade [entre a vacina e os casos de coagulação]", disse o diretor de prevenção do Ministério da Saúde, Gianni Rezza.

Já o premiê Mario Draghi lembrou que, para a Agência Italiana de Medicamentos (Aifa), não existem provas de que os efeitos adversos graves estejam ligados à vacina. "[A suspensão] Foi uma decisão preventiva, em linha com aquilo feito por outros países europeus, e que demonstra a eficácia dos sistemas de vigilância", ressaltou.

Além da Itália, Áustria (onde uma enfermeira vacinada morreu de tromboses múltiplas), Bulgária, Dinamarca, Estônia, Letônia, Lituânia, Luxemburgo e Romênia suspenderam o uso do lote investigado, mas essa decisão foi criticada pela Alemanha.

"Lamento que alguns países tenham interrompido a administração da vacina da AstraZeneca. É preciso encontrar um balanço correto entre a atenção e evitar suscitar alarmismo", declarou o ministro alemão da Saúde, Jens Spahn - Bulgária e Dinamarca suspenderam não apenas o lote ABV2856, mas sim todas as vacinas anti-Covid da AstraZeneca.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também se pronunciou nesta sexta e disse que "não há motivo" para parar de usar o imunizante. "Devemos continuar utilizando a vacina", disse a porta-voz da entidade, Margaret Harris. (ANSA)   

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