Draghi ataca AstraZeneca e diz que europeus se sentem enganados

Declaração foi dada durante cúpula da União Europeia

Premiê italiano participou de cúpula da UE virtual
Premiê italiano participou de cúpula da UE virtual (foto: EPA)
20:13, 25 MarROMA ZCC

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, afirmou nesta quinta-feira (25) que "os cidadãos europeus se sentem enganados por algumas empresas farmacêuticas", principalmente pela AstraZeneca, e deu "total apoio" à proposta da Comissão Europeia para reforçar o mecanismo europeu de exportação de vacinas anti-Covid.

Segundo fontes em Bruxelas, durante declaração na sessão virtual do Conselho Europeu, o premiê italiano defendeu "a necessidade de não ficar indefeso diante de compromissos não cumpridos por algumas empresas farmacêuticas".

"Não se pode ficar parado diante das violações contratuais que prejudicam gravemente a campanha de vacinação da União Europeia", afirmou ele.

Durante a reunião, Draghi também comentou sobre as 29 milhões de doses da Astrazeneca encontradas em uma inspeção em uma fábrica na cidade de Anagni, próximo de Roma, e perguntou para a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, se os imunizantes produzidos na Bélgica e na Holanda continuarão a ser destinados para a UE em parte ou em sua totalidade.

Segundo Von der Leyen, neste caso, "as doses produzidas na UE serão entregues à UE". A declaração diz respeito ao braço de ferro entre o bloco e o Reino Unido sobre o fornecimento de vacinas.

Apesar das duas partes anunciaram um acordo para se comprometer para criar condições necessárias para expandir a distribuição dos imunizantes, o ministro da Saúde do Reino Unido, Matt Hancock, afirmou à imprensa que o contrato firmado há meses pelo governo britânico com a AstraZeneca para o fornecimento da vacina anti-Covid desenvolvida em parceria com a Universidade de Oxford tem peso legal maior do que o assinado posteriormente com a União Europeia.

"Acredito que as nações livres devem seguir a lei. Bruxelas tem um contrato baseado na cláusula de esforço máximo, nós temos um acordo de exclusividade", disse Hancock, acrescentando que o contrato prevalece britânico prevalece sobre o da UE. "Se chama direito contratual, é muito claro".

Desta forma, o premiê italiano apoiou "plenamente" a proposta da Comissão Europeia de fortalecer o mecanismo europeu de exportação de vacinas. Outros países, no entanto, como Bélgica, Holanda, Irlanda, Dinamarca e Suécia, pediram cautela para o bloco antes de lançar medida contra empresas e Estados.

No final da semana, 88 milhões de doses de anti-Covid serão distribuídas na UE graças à estratégia de Bruxelas. Dessas, 62 milhões já foram inoculados, com 18,2 milhões de europeus recebendo as duas injeções, o equivalente a 4,1% do total, revelaram dados de Von der Leyen.

A UE exportou 77 milhões de doses desde 1º de dezembro passado, incluindo 31 milhões entregues a 54 países sob o plano da Covax.

As posições dos vários países europeus sobre a redistribuição das vacinas, porém, ainda são distintas. A Comissão ameaça abrir uma ação judicial contra a AstraZeneca se não ficar satisfeita com o cumprimento do contrato. Já a Alemanha apoiaria a possibilidade de verificar se a russa Sputnik V pode fazer parte da estratégia da UE.

Outro tema debatido também foi o "passaporte de vacinação". Draghi, por sua vez, incentivou a ideia de introduzir um certificado verde digital e fez um apelo para que sejam investigados alguns "obstáculos" para colocar o projeto em vigor.

"Os Estados-Membros precisarão de toda a ajuda que a Comissão puder dar, porque ter plataformas nacionais e torná-las interoperáveis não é um resultado trivial", alertou.

Além disso, o ex-presidente do Banco Central Europeu (BCE) pediu para os líderes refletirem sobre como lidar com os possíveis riscos de discriminação entre as pessoas causados pela introdução da certificação.

Em relação ao debate sobre o euro, Draghi garantiu "que a prioridade absoluta deve ser não cometer erros durante a recuperação econômica" e disse que é preciso "desenhar um quadro de política fiscal que seja capaz de tirar todos da crise", segundo fontes.

Por fim, ele usou como exemplo os Estados Unidos, que "têm uma união dos mercados de capitais, uma união bancária completa e um ativo seguro", "elementos que são fundamentais para o papel internacional do dólar".

Em particular, o político italiano ressaltou a importância de se criar um título europeu comum. "Sei que o caminho é longo, mas temos que começar. É uma meta de longo prazo, mas é importante ter um compromisso político", finalizou. (ANSA).
   

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