Papa alerta para situação de deslocados pela mudança climática

Papa enviou mensagem ao Fórum da Unesco sobre Biodiversidade
Papa enviou mensagem ao Fórum da Unesco sobre Biodiversidade (foto: ANSA)
19:14, 30 MarVATICANO ZCC

(ANSA) - O papa Francisco fez uma adaptação nesta terça-feira (30) na famosa citação de William Shakespeare, em Hamlet, ao apelar para a sociedade não permanecer cega à destruição da mudança climática e da pobreza extrema que ela pode causar.

"Eu sugiro que adaptemos o famoso 'ser ou não ser' de Hamlet e afirmemos: 'Ver ou não ver, essa é a questão!' O que começa com a visão de cada um, sim, a minha e a sua", escreveu o Pontífice ao Fórum da Unesco sobre a Biodiversidade.

"Não vamos sair de crises como a climática ou a Covid-19 nos acomodando no individualismo, mas apenas 'sendo muitos juntos', por meio do encontro e do diálogo e da cooperação", Francisco ressaltou a necessidade de agir em conjunto para uma profunda revisão do atual modelo de desenvolvimento, porque o aquecimento global e o seu impacto sobre os pobres exige uma resposta.

"A luta contra a mudança climática e a luta contra a pobreza extrema são interdependentes e, portanto, é necessário redefinir um novo modelo de desenvolvimento, adotando uma metodologia que integre a ética da solidariedade e da caridade política", afirmou.

Para o religioso, "somente assim será possível promover um bem comum verdadeiramente universal, uma verdadeira civilização do amor onde não há lugar para uma pandemia de indiferença e desperdício".

O Papa assina o prefácio do documento publicado pela "Seção Migrantes e Refugiados - Setor de Ecologia Integral", do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, alertando para os "números impressionantes e crescentes de deslocados pela crise climática" para falar numa "emergência grave" que está à vista de todos.

Segundo o líder da Igreja Católica, "a resposta à atual crise socioambiental" deve ser vista "como uma oportunidade única para assumir a responsabilidade pela fragilidade da nossa Casa Comum, melhorando as condições de vida, a saúde, os transportes, segurança energética e criando novas oportunidades de emprego".

Ao recordar o Acordo de Paris sobre o clima, Francisco enfatiza que há uma crescente consciência de que a mudança climática é "uma questão muito mais moral do que técnica".

"Dar respostas concretas ao grave fenômeno do aquecimento global é um imperativo moral. A falta de ação terá efeitos secundários, especialmente entre os estratos mais pobres da sociedade, que também são os mais vulneráveis a essas mudanças".

Desta forma, Jorge Bergoglio recomenda escutar não somente os especialistas, mas também as comunidades locais e os povos indígenas, "atores não estatais, muitas vezes na linha de frente na luta contra a mudança climática", que "demonstram uma particular sensibilidade na busca de formas inovadoras para promover um sistema sustentável de produção e consumo e, assim, se tornam intérpretes do grito da terra e dos pobres".

Por fim, o argentino falou sobre as pessoas deslocadas pela crise climática, lembrando os fenômenos que atingem os mais pobres, principalmente o ciclone em Moçambique.

"São as comunidades pobres e vulneráveis do mundo inteiro quem mais sofre com as crises ecológica e climática. São os inocentes que, à partida, menos contribuíram para a origem do problema. Esta é uma questão profundamente moral que exige ecojustiça", concluiu. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA