Draghi vai à Líbia em 1ª viagem e elogia gestão migratória

País africano é acusado de violar direitos humanos de migrantes

Mario Draghi com o novo premiê da Líbia, Abdul Hamid Dbeibah
Mario Draghi com o novo premiê da Líbia, Abdul Hamid Dbeibah (foto: ANSA)
14:44, 06 AbrROMA ZLR

(ANSA) - O premiê da Itália, Mario Draghi, visitou a Líbia nesta terça-feira (6), em sua primeira viagem internacional desde que se tornou chefe de governo, em fevereiro passado.

Situado no norte da África, o país é uma das prioridades da política externa italiana e ganhou há menos de um mês um novo governo de união nacional que promete deixar para trás as disputas de milícias que marcaram o período pós-Kadafi.

Draghi viajou a Trípoli, capital da Líbia, onde se reuniu com o novo premiê Abdul Hamid Dbeibah e elogiou o papel desempenhado pelo país africano na crise migratória no Mediterrâneo. "No plano da imigração, nós expressamos satisfação por aquilo que a Líbia faz nos resgates e, ao mesmo tempo, ajudamos e assistimos a Líbia", declarou Draghi.

A Guarda Costeira do país foi formada em 2017, com financiamento e treinamento da Itália, que assim conseguiu reduzir o número de migrantes forçados que chegam ao seu litoral.

No entanto, ONGs e agências humanitárias acusam a Guarda Costeira líbia de ser comandada por milícias e de violar os direitos humanos de migrantes e refugiados. Além disso, o próprio governo italiano e a ONU já reconheceram que o país africano não é um porto seguro para deslocados internacionais.

A declaração de Draghi já se tornou alvo de críticas na Itália, onde ele governa com o apoio de quase todos os grupos políticos no Parlamento. "Draghi expressou 'satisfação' por aquilo que a Líbia faz no salvamento de migrantes. Significa se dizer satisfeito com a sistemática violação dos direitos humanos. Era inaceitável quando seus antecessores diziam isso, é inaceitável que ele também o diga hoje", escreveu no Twitter o deputado Matteo Orfini, do centro-esquerdista Partido Democrático (PD).

Já Nicola Fratoianni, deputado pela legenda Esquerda Italiana, afirmou que Draghi esqueceu a diferença entre "salvamento e captura". "Os migrantes na Líbia vivem em condições desumanas e atrozes, como confirmado por todas as organizações internacionais", acrescentou.

A Guarda Costeira líbia é acusada de prender migrantes e refugiados resgatados no Mediterrâneo em campos de concentração. Em julho de 2019, um bombardeio contra uma dessas prisões em Trípoli deixou mais de 40 pessoas mortas. Também há relatos de que deslocados internacionais da África Subsaariana são vendidos como escravos nesses locais.

Colaboração

Durante sua visita a Trípoli, Draghi também falou em aumentar a colaboração com a Líbia nos setores de eletricidade e energia e afirmou que este é um "momento único para reconstruir a antiga amizade" entre os dois países.

"É um momento único para a Líbia. Existe agora um governo de unidade nacional legitimado pelo Parlamento e que está trabalhando pela reconciliação", declarou o premiê italiano, ressaltando que o respeito ao cessar-fogo é um "requisito essencial" para a parceria bilateral.

 Dbeibah tomou posse em meados de março, como fruto das negociações mediadas pela ONU para reconciliar o governo baseado em Trípoli com o parlamento paralelo estabelecido em Tobruk, no leste do país.

As negociações para reunificar a Líbia duraram vários anos, mas ganharam impulso com a derrota militar do marechal Khalifa Haftar, que era ligado ao parlamento de Tobruk e havia lançado uma ofensiva em 2019 para conquistar a capital e assumir o controle de todo o país. Um cessar-fogo permanente está em vigor desde outubro passado.

Durante o encontro com Draghi, Dbeibah também falou em aumentar a cooperação com a Itália nos setores de eletricidade e energia e pediu a facilitação dos procedimentos de concessão de vistos no país europeu. "Sobretudo para os estudantes e homens de negócios", ressaltou.

O principal objetivo do novo premiê líbio é organizar eleições gerais em dezembro de 2021. (ANSA)

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