Diretor-assistente da OMS é investigado na Itália

Ranieri Guerra é suspeito de ter cometido falso testemunho

Ranieri Guerra (com mala na mão) após depor no Ministério Público de Bergamo, em 5 de novembro de 2020
Ranieri Guerra (com mala na mão) após depor no Ministério Público de Bergamo, em 5 de novembro de 2020 (foto: ANSA)
14:13, 09 AbrBERGAMO ZLR

(ANSA) - O Ministério Público da Itália abriu uma investigação contra o diretor-assistente da Organização Mundial da Saúde (OMS), Ranieri Guerra, por falso testemunho em um interrogatório no dia 5 de novembro sobre a pandemia do novo coronavírus.

O inquérito tramita na Procuradoria de Bergamo, uma das províncias mais atingidas pela crise sanitária no país. Em novembro, Guerra foi ouvido pelo MP como "pessoa informada sobre os fatos" a respeito do plano do governo de combate a pandemias, que não era atualizado desde 2006.

Entre 2014 e 2017, Guerra foi diretor de prevenção sanitária no Ministério da Saúde, cargo que, em tese, era responsável pela elaboração desse documento. Em seu interrogatório, ele disse que o plano não precisava ser revisto, já que não haviam sido registrados graves episódios epidemiológicos antes da disseminação da Covid-19.

No entanto, os investigadores constataram que tanto a União Europeia quanto a OMS recomendaram a atualização do plano. Além disso, o MP quer esclarecer o episódio da remoção de um relatório crítico à Itália do site da Organização Mundial da Saúde.

Entre outras coisas, o texto afirmava que os hospitais italianos tiveram uma resposta inicial ao novo coronavírus "improvisada, caótica e criativa" e que o plano do país de combate a pandemias não era atualizado desde 2006.

O relatório havia sido publicado no site da OMS em 13 de maio de 2020 e foi removido no dia seguinte. Segundo a entidade, os motivos da retirada foram "imprecisões" encontradas no texto. "Estou pasmo e amargurado por essa situação. Não tenho a menor ideia do porquê de os magistrados terem decidido nesse sentido", disse Guerra nesta sexta-feira (9).

O MP de Bergamo também investiga possíveis negligências das autoridades políticas e sanitárias no início da pandemia, que já deixou mais de 110 mil mortos na Itália. (ANSA)  

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