França prende 7 ex-terroristas italianos de extrema esquerda

Detidos cometeram crimes violentos nos anos 1970 e 1980

Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Giorgio Pietrostefani, Marina Petrella, Enzo Calvitti, Roberta Cappelli e Sergio Tornaghi.
Da esquerda para a direita, de cima para baixo: Giorgio Pietrostefani, Marina Petrella, Enzo Calvitti, Roberta Cappelli e Sergio Tornaghi. (foto: Ansa)
08:21, 28 AbrROMA ZLR

(ANSA) - A polícia da França prendeu na manhã desta quarta-feira (28), em Paris, sete ex-terroristas italianos de extrema esquerda condenados por crimes de violência cometidos nos anos 1970 e 1980.

As prisões foram efetuadas a pedido da Itália e ocorreram por decisão expressa do presidente francês, Emmanuel Macron. Os detidos são Roberta Cappelli, Marina Petrella, Sergio Tornaghi, Giovanni Alimonti e Enzo Calvitti, ex-membros das Brigadas Vermelhas, guerrilha comunista que sequestrou e executou o ex-premiê Aldo Moro em 1978; Giorgio Pietrostefani, fundador do grupo Luta Contínua; e Narciso Manenti, ex-integrante dos Núcleos Armados do Contrapoder Territorial.

Outros três indivíduos - Luigi Bergamin, Maurizio Di Marzio e Raffaele Ventura - estão foragidos. Bergamin é um dos ideólogos do grupo Proletários Armados pelo Comunismo (PAC), do qual fazia parte o ex-terrorista Cesare Battisti.

Segundo o Palácio do Eliseu, a decisão de realizar a operação "Sombras Vermelhas" partiu diretamente de Macron, que transmitiu ao Ministério Público francês os nomes de 10 pessoas procuradas pela Itália - inicialmente, Roma pedia a prisão de 200 indivíduos.

"O presidente Emmanuel Macron quis resolver esse problema, como a Itália pedia havia anos. A França, também atingida pelo terrorismo, compreende em absoluto a necessidade de se fazer justiça pelas vítimas", disse a Presidência francesa.

De acordo com o gabinete de Macron, a operação segue a lógica da doutrina do ex-presidente François Mitterrand (1981-1995) de dar asilo a ex-brigadistas italianos, com exceção daqueles envolvidos em crimes de sangue.

Os sete detidos devem se apresentar a um tribunal nos próximos dias para comunicação dos pedidos de extradição por parte de Roma. "É histórica a decisão da França de remover os obstáculos ao justo curso da Justiça em um episódio que representa uma ferida profunda na história italiana", afirmou a ministra da Justiça da Itália, Marta Cartabia, que está no cargo desde fevereiro.

"Meu pensamento vai sobretudo às vítimas dos Anos de Chumbo e a seus familiares, que esperaram por respostas durante muitos anos. Agradeço às autoridades francesas, principalmente ao ministro da Justiça Éric Dupond-Moretti", acrescentou Cartabia.

Já Irène Terrel, histórica advogada de ex-terroristas italianos na França, denunciou uma "traição sem nome por parte" do governo Macron. "Estou indignada e não tenho palavras para descrever essa operação", reforçou.

Os criminosos

Quatro dos sete detidos foram condenados na Itália à prisão perpétua: Roberta Cappelli, pelo homicídio do general da Arma dos Carabineiros Enrico Galvaligi e do policial Michele Granato e pelo sequestro do juiz Giovanni D'Urso; Marina Petrella, pelo homicídio de Galvaligi, pelo sequestro de D'Urso e do ex-secretário de Urbanismo da região da Campânia Ciro Cirillo e pela tentativa de homicídio contra o policial Nicola Simone; Narciso Manenti, pelo homicídio do policial militar Giuseppe Gurrieri; e Sergio Tornaghi, pelo homicídio do marechal Francesco Di Cataldo.

Já Giovanni Alimonti foi condenado a 11 anos, seis meses e nove dias de prisão por diversos crimes, incluindo a tentativa de homicídio contra o policial Nicola Simone. Enzo Calvitti deve descontar pena de 18 anos, sete meses e 25 dias de reclusão pela tentativa de homicídio contra um funcionário da polícia. Giorgio Pietrostefani foi sentenciado a 14 anos, dois meses e 11 dias de cadeia por ordenar o homicídio do delegado Luigi Calabresi.

Entre os foragidos, Luigi Bergamin foi condenado a 17 anos e 11 meses de cadeia pelo homicídio do açougueiro veneziano Lino Sabbadin, crime que teve a participação de Cesare Battisti; Raffaele Ventura, a 22 anos de prisão pelo homicídio do vice-brigadeiro Antonino Custra; e Maurizio Di Marzio, a 15 anos de reclusão por diversos crimes, incluindo a tentativa de homicídio contra Nicola Simone.

"Fazer pessoas já idosas, que participaram de um período histórico bem definido que marcou o nosso país, descontarem penas 40 ou 50 anos depois dos fatos não tem nenhum sentido, a não ser aquele de uma vingança de um Estado que nunca soube acertar as contas com a própria história", declarou Davide Steccanella, advogado de Cesare Battisti, que cumpre pena de prisão perpétua desde o início de 2019, após quase quatro décadas foragido, por quatro homicídios cometidos pelo PAC.

As acusações contra a maior parte dos ex-terroristas prescreveriam nas próximas semanas. (ANSA)

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