Itália autoriza desembarque de 455 pessoas salvas no mar

Grupo foi resgatado por navio da ONG alemã Sea Watch

Migrantes comemoram autorização de desembarque na Itália
Migrantes comemoram autorização de desembarque na Itália (foto: Sea Watch)
10:30, 03 MaiROMA ZLR

(ANSA) - A Itália autorizou nesta segunda-feira (3) o desembarque de 455 migrantes resgatados pela ONG alemã Sea Watch no Mar Mediterrâneo.

Em uma mensagem no Twitter, a entidade humanitária disse ter recebido permissão para atracar a embarcação no porto de Trapani, na região da Sicília. "As pessoas que socorremos sofreram muito, mas estão felizes em saber que poderão desembarcar em breve", afirmou a ONG.

Os 455 migrantes foram resgatados em seis operações de socorro realizadas em um período de 72 horas na costa da Líbia, país que não é considerado um "porto seguro" por entidades humanitárias.

Desde o início do ano, pelo menos 10.107 migrantes forçados e refugiados desembarcaram na Itália após a travessia do Mediterrâneo, crescimento de 183% na comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com o Ministério do Interior.

Os principais países de origem são Tunísia (1.412), Costa do Marfim (1.237), Bangladesh (1.014), Guiné (827) e Egito (581).

Além disso, 490 pessoas morreram ou desapareceram tentando atravessar a rota do Mediterrâneo Central em 2021, alta de 230% na comparação com o ano passado, segundo a Organização Internacional para as Migrações (OIM).

Há cerca de 10 dias, o naufrágio de um bote inflável deixou mais de 100 mortos no Mediterrâneo, reacendendo o debate sobre a crise migratória na região.

Os primeiros alertas a respeito da embarcação foram lançados pelo serviço humanitário Alarm Phone em 21 de abril, porém seus responsáveis dizem que os avisos foram ignorados pela Frontex, agência da União Europeia para controle de fronteiras.

A Frontex, por sua vez, alega ter alertado os centros de socorro de Itália, Malta e Líbia, que não agiram. Quando o navio Ocean Viking, da ONG SOS Méditerranée, encontrou o bote, já era tarde demais: a embarcação estava de cabeça para baixo e não havia nenhum sobrevivente.

Na semana passada, as ONGs do Mediterrâneo cobraram uma reunião urgente com o premiê italiano, Mario Draghi, que ainda não respondeu à solicitação. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA