Juíza rejeita acusação feita pela capitã Rackete contra Salvini

Alemã desafiou ex-ministro e atracou navio com migrantes em 2019

Alemã desafiou ex-ministro e atracou navio com migrantes em 2019
Alemã desafiou ex-ministro e atracou navio com migrantes em 2019 (foto: EPA)
07:39, 18 MaiMILÃO ZCC

(ANSA) - A juíza de investigações preliminares (GIP) de Milão, Sara Cipolla, acatou nesta segunda-feira (17) um pedido da procuradoria e retirou as acusações contra o ex-ministro do Interior da Itália Matteo Salvini de instigação para cometer crime contra Carola Rackete, capitã alemã que desafiou o político e atracou a força um navio com 40 migrantes a bordo no porto de Lampedusa.

A decisão foi tomada a pedido da procuradora Giancarla Serafini e diz respeito à uma denúncia feita pela comandante do navio Sea Watch 3, pertencente à ONG alemã Sea Watch, apresentada em 2019.

No processo, ela acusa Salvini de ter usado frases difamatórias em entrevistas de TV e redes sociais que poderiam coloca-la em perigo de ser atacada fisicamente com base nos inúmeros comentários ofensivos recebidos na internet.

Para Serafini, "as múltiplas publicações de usuários na rede, com conteúdos gravemente ofensivos e ameaçadores não podem ser consideradas de forma alguma, consequência direta das expressões proferidas pelo suspeito, mas manifestação gravemente difamatória e agressiva para com os mesmos".

Desta forma, a procuradora reiterou que o crime de incitamento à prática do crime não é "reconhecível".

"Nenhuma das sentenças proferidas pelo senador Salvini contém, objetiva e portanto concretamente, um convite à prática de crimes", diz a tese acatada pela juíza, que "partilha as avaliações jurídicas".

Salvini é defendido pela advogada Claudia Eccher e, paralelamente, é alvo de inquérito por difamação contra Rackete.

Neste caso, que está nas mãos do Ministério Público de Milão, o ex-ministro foi denunciado pela capitã alemã após ter usado termos como "cúmplice de traficantes", "criminosa" e "delinquente" para defini-la. A data desta audiência, porém, ainda não foi divulgada.

Rackete forçou a entrada no porto de Lampedusa depois de 17 dias de bloqueio imposto pelas autoridades italianas, em junho de 2019. Ela, inclusive, chegou a ser presa e foi ofendida por Salvini, que a acusou de avançar contra um barco da Guarda de Finanças.  (ANSA)

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