Justiça arquiva inquérito contra capitã que desafiou Salvini

Carola Rackete entrou em Lampedusa sem autorização em 2019

Carola Rackete entrou em Lampedusa sem autorização em 2019
Carola Rackete entrou em Lampedusa sem autorização em 2019 (foto: EPA)
19:57, 19 MaiROMA ZCC

(ANSA) - A justiça italiana decidiu nesta quarta-feira (19) encerrar o processo contra a capitã alemã Carola Rackete, acusada de entrar no porto de Lampedusa sem autorização, em 2019, com um navio da ONG Sea Watch com 42 migrantes a bordo, ignorando a proibição imposta pelo então ministro do Interior Matteo Salvini.

A decisão foi tomada pela juíza de investigações preliminares (GIP) de Agrigento, Alessandra Vella, coincidindo com a posição do Ministério Público. Ambos alegam que a comandante agiu por "necessidade" pois tinha o "dever de levar os imigrantes para um porto seguro", já que não podia mais garantir a segurança a bordo das pessoas resgatadas 17 dias antes.

O caso ocorreu em junho de 2019, quando Rackete forçou a entrada da embarcação, pertencente à ONG alemã Sea Watch, no porto de Lampedusa, ilha italiana situada no Mediterrâneo Central. Ao atracar, o navio se chocou contra um barco da Guarda de Finanças e provocou a fúria de Salvini, que havia impedido o desembarque.

A alemã chegou a ficar em prisão domiciliar entre 29 de junho e 2 de julho, quando um juiz da província de Agrigento determinou sua soltura. Rackete se tornou símbolo da oposição à rígida política migratória de Salvini e ganhou até um mural em sua homenagem na Itália.

Hoje, a organização Sea Watch celebrou a decisão porque "mostra que salvar vidas não pode ser crime", apesar de os direitos humanos ainda serem "negligenciados".

"Quem resgata pessoas no mar não pode ser criminalizado. Quem a acusou e ofendeu nos últimos meses deve se desculpar hoje, começando por Matteo Salvini e Giorgia Meloni", ressaltou Matteo Orfini, parlamentar do Partido Democrático (PD). (ANSA).
   

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