Sobrevivente de Auschwitz critica grupos antivacinas na Itália

Manifestante durante ato negacionista em Roma em 24 de julho
Manifestante durante ato negacionista em Roma em 24 de julho (foto: ANSA)
11:03, 26 JulROMA ZLR

(ANSA) - Sobrevivente do campo de extermínio de Auschwitz, a senadora italiana Liliana Segre criticou nesta segunda-feira (26) as pessoas que comparam a perseguição aos judeus às regras que buscam incentivar a vacinação contra a Covid-19.

Segundo Segre, esse tipo de analogia é uma "loucura" e um "gesto de mau gosto e ignorância". "É uma época de tamanha ignorância e violência - que nem são mais reprimidas -, que leva a essas distorções. É uma escola na qual os valentões são os mais fortes", disse a senadora ao site "Pagine Ebraiche".

A declaração chega após um fim de semana de protestos em algumas cidades da Itália contra a decisão do governo de exigir comprovante de vacinação contra Covid, cura ou exame negativo para acessar determinados lugares a partir de agosto, como restaurantes, bares, cinemas, teatros e academias.

Durante as manifestações, os grupos antivacinas se compararam a judeus perseguidos pelo nazismo e se disseram vítimas de uma "ditadura". Muitas pessoas saíram às ruas exibindo em suas roupas a estrela de Davi, que era usada para marcar judeus durante o Holocausto.

"O uso distorcido da memória é uma moda vergonhosa que dura há muito tempo", acrescentou Segre, dizendo esperar que os antivacinas representem uma "minoria". "Como alguém não se vacina contra uma doença terrível como essa?", questionou.

A própria senadora se vacinou em fevereiro passado e foi alvo de insultos antissemitas na internet. "Disseram até que eu tinha ações da Pfizer. Quem me dera, mas infelizmente não as tenho", ressaltou.

Segre ainda mandou um recado a quem enxerga teoria da conspiração em todo lugar: "Fiquem em casa, sozinhos. Não saiam nas ruas, não vão ao mundo, não prejudiquem os outros".

Trajetória

Nascida de uma família laica judia de Milão em 10 de setembro de 1930, Segre tinha apenas 13 anos quando foi deportada para Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

Ao chegar ao campo de extermínio, foi separada do pai, com quem não voltaria mais a se reunir. Com o número 75.190 tatuado no braço, a jovem fez trabalhos forçados em uma fábrica de munições e, em janeiro de 1945, participou da chamada "marcha da morte", a transferência de prisioneiros da Polônia para a Alemanha.

Segre foi libertada em maio daquele mesmo ano pelo Exército soviético e passou a viver com os avós maternos, os únicos sobreviventes da família.

Em janeiro de 2018, após uma vida dando testemunho dos horrores do Holocausto e de sua superação, especialmente para jovens, foi nomeada senadora vitalícia pelo presidente da Itália, Sergio Mattarella. (ANSA)

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