Expectativa por Paris 2024 revive críticas contra prefeita de Roma

Virginia Raggi enterrou candidatura olímpica da capital italiana

Roma chegou a se candidatar para receber os Jogos de 2024, mas Virginia Raggi abdicou da disputa
Roma chegou a se candidatar para receber os Jogos de 2024, mas Virginia Raggi abdicou da disputa (foto: ANSA)
10:35, 09 AgoROMA ZLR

(ANSA) - Faltando menos de dois meses para as eleições municipais em Roma, a prefeita Virginia Raggi se tornou novamente alvo de críticas por ter enterrado a candidatura da capital italiana para sediar os Jogos Olímpicos de 2024.

O estopim para os novos questionamentos à prefeita, que pertence ao antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S) e busca a reeleição, foi a festa em Paris no último domingo (8) por conta da expectativa de receber as Olimpíadas daqui a três anos.

"Podia ser Roma, mas os Cinco Estrelas disseram NÃO. Funciona sempre assim: os populistas causam danos, mas frequentemente a opinião pública só percebe quando é tarde demais", disse no Twitter o senador de centro Matteo Renzi, que governava a Itália na época da candidatura romana.

Outro político que criticou Raggi pela desistência é Nicola Zingaretti, governador do Lazio, região mais populosa da Itália e onde fica a "cidade eterna". "Hoje Roma podia estar festejando as Olimpíadas de 2024: trabalho, esporte, estruturas, esperança, futuro. Mas quem festeja é Paris por culpa do enésimo dramático erro cometido pela atual prefeita", escreveu Zingaretti, de centro-esquerda, no Twitter.

Já a deputada Annagrazia Calabria, de centro-direita, declarou que a "ideologia contrária ao crescimento e ao desenvolvimento, marcada pela cultura da suspeita, privada de visão e antinacionalista, decretou a renúncia à candidatura" de Roma.

"Não é apenas uma ocasião perdida, é uma ferida ainda aberta, um prejuízo a todos os cidadãos cometido por alguém que havia se apresentado como seu paladino", acrescentou.

"Sonho que vira pesadelo"

Roma havia se candidatado para receber os Jogos de 2024 na gestão de Ignazio Marino, de centro-esquerda, mas Raggi abdicou da disputa em setembro de 2016, apenas três meses depois de se tornar a primeira mulher prefeita da capital.

Na época, ela alegou que a candidatura era "irresponsável" e que as Olimpíadas eram um "sonho que se torna pesadelo". "As Olimpíadas são um negócio para os grandes lobbies, os grandes construtores", disse Raggi na ocasião.

Mais tarde, motivos semelhantes fizeram Turim, também governada pelo M5S, abrir mão da candidatura para os Jogos de Inverno de 2026, que serão realizados em Milão e Cortina d'Ampezzo.

Hoje Raggi busca a reeleição, algo que havia prometido não fazer, e aparece nas pesquisas com chances de chegar ao segundo turno, mas a disputa conta com outros três candidatos competitivos: o ex-ministro da Economia Roberto Gualtieri, de centro-esquerda; o liberal Carlo Calenda, ex-ministro do Desenvolvimento Econômico; e o advogado Enrico Michetti, apoiado pela coalizão de direita.

As críticas à prefeita pela desistência da candidatura olímpica também buscam surfar na onda da melhor participação da história da Itália em Olimpíadas. O time azzurro faturou 40 medalhas, quatro a mais que o recorde anterior, sendo 10 de ouro, 10 de prata e 20 de bronze.

Vitórias inesperadas e emocionantes, como as de Marcell Jacobs nos 100 metros rasos e de Gianmarco Tamberi no salto em altura, aumentaram o moral de um país que já estava em festa por causa da conquista da Eurocopa, após um ano de angústia pela pandemia de Covid-19.

As eleições municipais em Roma e outras mais de 1,1 mil cidades da Itália acontecerão em 3 e 4 de outubro, com possibilidade de segundo turno entre 17 e 18 do mesmo mês. (ANSA)

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