Presidente e premiê da Itália lamentam morte do médico Strada

Políticos lembraram dos cuidados com os mais necessitados

Gino Strada morreu nesta sexta-feira (13)
Gino Strada morreu nesta sexta-feira (13) (foto: ANSA)
13:43, 13 AgoROMA ZGT

(ANSA) - A morte do médico e ativista italiano Gino Strada nesta sexta-feira (13) comoveu expoentes políticos do país de todas as vertentes, incluindo o presidente Sergio Mattarella e o primeiro-ministro, Mario Draghi.

O profissional dedicou sua vida ao cuidado com as pessoas que sofreram com as guerras, as minas terrestres e a pobreza e, depois de trabalhar com a Cruz Vermelha, fundou a ONG Emergency, em 1994, com sua esposa Teresa. A profissional faleceu em 2009.

"Gino Strada levou as razões da vida onde a guerra queria impor a violência e a morte. Ele invocou as razões da humanidade onde o conflito cancelava o respeito por qualquer pessoa. O seu testemunho, levado até o fim da sua vida, contribuiu para enriquecer o patrimônio dos valores da solidariedade e do altruísmo, expressado às vezes de maneira rude, mas sempre generosa, no serviço de proteção das pessoas mais fracas e expostas às consequências dos conflitos que ensanguentam o mundo", escreveu Mattarella em uma nota oficial.

Draghi, por sua vez, disse lamentar a morte e afirmou que está próximo "da filha Cecília, de todos os seus amigos queridos e dos colegas da Emergency".

"Strada transcorreu a sua vida sempre do lado dos últimos, trabalhando com profissionalismo, coragem e humanidade nas áreas mais difíceis do mundo. A associação Emergency, fundada com a esposa Teresa, representa o seu legado moral e profissional", publicou em comunicado.

O ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, lembrou que Strada era uma "pessoa admirada em todo o mundo".

"Apaixonado, generoso, competente. Com a Emergency, colocou tudo de si mesmo em um projeto que salvou vidas e veiculou tanta solidariedade. Ele também aceitou um de seus últimos desafios, na Calábria, e demonstrou seu valor e o papel precioso que pessoas como ele dão para o país. Descanse em paz, Gino, você será para sempre um modelo", escreveu o chanceler lembrando do acordo que a ONG fechou com o governo regional para gerir hospitais de campanha contra a Covid-19.

O prefeito de Milão, Giuseppe Sala, cidade onde a Emergency foi fundada, lamentou a perda de um "amigo querido".

"Em junho, eu tinha celebrado o novo casamento dele com a doce Simonetta, uma cerimônia bem reservada, como eles queriam. De Gino, você pode pensar o que quiser, mas uma coisa é certa: ele sempre pensou nos outros antes de si mesmo. Você me e nos faltará", disse o prefeito.

Outro político que se manifestou foi o ex-premiê e atual senador Matteo Renzi, que lembrou que "você até poderia não estar de acordo com ele, e isso aconteceu bastante comigo, mas quando ele contava sobre seu compromisso de fazer a saúde um direito de todos e para todos, você ficava sem palavras".

Renzi ainda afirmou que ele "não era um homem fácil, mas sempre um homem verdadeiro" e lembrou de quando foi eleito prefeito de Florença e Strada se reuniu com ele.

"Nós tivemos duas horas de conversas cara a cara discutindo posições diferentes, partindo do fato que, para ele, não existe guerra justa, que nenhuma guerra é possível. E assim discutimos talibãs, ex-Iugoslávia, África. Era implacável na sua argumentação, era bom dividir com ele uma comida simples. Foi um daqueles momentos que sempre ficarão na minha memória", acrescentou. (ANSA).
   

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