5 anos após terremoto, Itália aposta em fundos da UE para acelerar reconstrução

Tremor de terra devastou Amatrice em 24 de agosto de 2016

Centro histórico de Amatrice ainda aguarda reconstrução
Centro histórico de Amatrice ainda aguarda reconstrução (foto: ANSA)
15:27, 23 AgoROMA ZLR

(ANSA) - Às 3h36 da madrugada de 24 de agosto de 2016, um terremoto de magnitude 6.0 na escala Richter desencadeou uma das mais intensas e duradouras sequências sísmicas deste século na Itália e levou ao chão vilarejos inteiros no centro do país.

Ao todo, foram 299 mortos no abalo sísmico de cinco anos atrás, sendo 238 na cidadezinha histórica de Amatrice, famosa por ser berço do molho à amatriciana e que estava repleta de turistas no fim das férias de verão na Europa.

Além disso, o terremoto deu início a uma sequência sísmica que deixaria mais de 330 vítimas até de janeiro de 2017, quando uma avalanche soterrou um hotel nas montanhas da Itália Central.

As cerimônias em memória dos mortos começam às 2h da madrugada (horário local) desta terça-feira (24), com uma vigília no estádio de Amatrice que vai terminar às 3h36, com a leitura dos nomes de todas as vítimas do terremoto.

Em seguida, será celebrada uma missa na cidade com transmissão ao vivo pela TV pública Rai e presença do primeiro-ministro Mario Draghi. Além de Amatrice, o abalo sísmico devastou a vizinha Accumoli (ambas ficam na região do Lazio) e Pescara del Tronto, distrito de Arquata del Tronto, na região de Marcas.

Reconstrução

Os canteiros de obras e guindastes hoje fazem parte da paisagem de Amatrice, mas basta percorrer suas ruas para perceber que as feridas continuam abertas.

Se os escombros já foram removidos, alguns distritos agora desabitados continuam exibindo a destruição provocada pelo terremoto, especialmente no centro histórico do vilarejo.

"Venham trabalhar na reconstrução do centro da Itália, atingido pelos eventos sísmicos de 2016 e 2017", pediu nesta segunda (23) o comissário do governo italiano para a reconstrução, Giovanni Legnigni.

O apelo é voltado sobretudo a profissionais e empresas da construção civil, a quem o comissário pediu ajuda para evitar que o ritmo das obras desacelere.

"Podem confiar nos procedimentos, nos financiamentos disponíveis e na governança estruturada. Devemos manter o ritmo que a construção ganhou nos últimos meses. Se conseguirmos, veremos resultados importantes em poucos anos", ressaltou.

Segundo o governo, já foram financiadas 10,5 mil obras na zona do terremoto, sendo que metade está em andamento. Além disso, 12 mil habitações foram entregues às famílias desalojadas, mas outros 13 mil imóveis aguardam recuperação.

"Nos primeiros seis meses do ano, autorizamos a abertura de 3,2 mil canteiros, mas agora temos o desafio mais difícil: [reconstruir] os centros históricos, onde estamos dando os primeiros passos", explicou Legnigni.

A expectativa das autoridades é acelerar a reconstrução com o dinheiro do fundo de recuperação da União Europeia para o pós-pandemia. Dos mais de 190 bilhões de euros a que a Itália tem direito, quase 1,8 bilhão será destinado às áreas atingidas pelos terremotos de 2009, em L'Aquila, e de 2016-2017.

"Esses territórios têm uma oportunidade histórica de renascer", afirmou o comissário. (ANSA)

Todos los Derechos Reservados. © Copyright ANSA