Itália lembra 5 anos de terremoto em Amatrice

Reconstrução da cidade finalmente começou a sair do papel

Mario Draghi deposita coroa de louros em memória dos mortos no terremoto de Amatrice
Mario Draghi deposita coroa de louros em memória dos mortos no terremoto de Amatrice (foto: EPA)
09:35, 24 AgoAMATRICE ZLR

(ANSA) - A Itália lembrou nesta terça-feira (24) os cinco anos do terremoto de Amatrice, que deixou 299 mortos e devastou vilarejos inteiros no centro do país.

Com magnitude 6.0 na escala Richter, o abalo sísmico de 24 de agosto de 2016 levou ao chão o centro histórico dessa pequena cidade que é conhecida como berço do molho à amatriciana, além de ter destruído a vizinha Accumoli.

As cerimônias em memória dos mortos começaram às 2h da madrugada (horário local), com uma vigília no estádio de Amatrice que terminou às 3h36, horário do tremor, com a leitura dos nomes de todas as vítimas.

Em seguida, foi celebrada uma missa na cidade com transmissão ao vivo pela TV pública Rai e presença do primeiro-ministro Mario Draghi.

"Se hoje eu estou aqui é porque o Estado está ao lado de vocês. A reconstrução foi lenta no passado, mas agora a situação é diferente, as obras estão andando mais rapidamente", disse o premiê, que depositou uma coroa de louros em um monumento pelas vítimas do abalo sísmico.

Os canteiros de obras e guindastes hoje fazem parte da paisagem de Amatrice, mas basta percorrer suas ruas para perceber que as feridas continuam abertas. Se os escombros já foram removidos, alguns distritos agora desabitados seguem exibindo a destruição provocada pelo terremoto, especialmente no centro histórico do vilarejo.

"Após anos de atrasos, parece que finalmente a reconstrução começou, mas não basta reconstruir, primeiro é preciso criar uma nova relação entre as pessoas e o meio ambiente", disse em sua homilia o bispo de Rieti, monsenhor Domenico Pompili.

Segundo ele, a dor pelas perdas provocadas pelo terremoto ainda está viva, e seu "único antídoto é o amor". O tremor de Amatrice deu início a uma sequência sísmica na Itália Central que provocou 333 mortes entre agosto de 2016 e janeiro de 2017.

Essa porção do país fica em uma região de intensa atividade sísmica, na junção das placas tectônicas africana e eurasiática, as quais se chocam constantemente.

A primeira se move cerca de dois centímetros por ano rumo ao norte, movimentando a cordilheira dos Apeninos, espécie de espinha dorsal que atravessa a península.

Segundo o governo, já foram financiadas 10,5 mil obras na zona dos terremotos de 2016 e 2017, sendo que metade está em andamento. A expectativa da Itália é acelerar a reconstrução com o dinheiro do fundo de recuperação da União Europeia para o pós-pandemia.

Dos mais de 190 bilhões de euros a que o país tem direito, quase 1,8 bilhão será destinado às áreas atingidas pelos terremotos de 2009, em L'Aquila, e de 2016-2017. (ANSA)

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