Protestos de movimento antivacina fracassam na Itália

Manifestações tiveram participação inexpressiva da população (foto: ANSA)
07:45, 02 SetROMA ZCC

(ANSA) - Manifestações convocadas contra a obrigatoriedade do uso do passaporte sanitário da Covid-19 em transportes interregionais em várias cidades italianas tiveram participação inexpressiva da população nesta quarta-feira (1º).

As iniciativas foram organizadas pelo movimento antivacina "No Vax" para coincidir com a data que a nova medida passou a vigorar e previa o bloqueio de mais de 50 estações ferroviárias. O encontro estava agendado para 14h30 (horário local), mas foi desencorajado pela forte mobilização policial.

As autoridades italianas chegaram a entrar em alerta por causa da ameaça e blindaram as diversas estações do país com centenas de agentes. A ministra do Interior, Luciana Lamorgese, inclusive, defendeu "tolerância zero" com os militantes contrários à vacinação, que nos últimos dias protagonizaram atos violentos.

Apesar de todo esquema de segurança, muitos manifestantes não participaram dos atos. Em Roma, as estações Termini, Tiburtina e Ostiense, por onde passam os trens de alta velocidade, foram protegidas e só contabilizaram cerca de 20 pessoas do movimento "No Vax". Um banner foi colocado por militantes do Forza Nuova em frente a entrada do local com a frase "Italianos contra o passe verde".

Contra a "ditadura da saúde", pequenos grupos se reuniram também em Turim, Nápoles, Florença, Gênova, Trieste, Milão, Bari e Perugia. O número de participantes, no entanto, foi bem menor do que o esperado. No território milanês, inclusive, a mobilização tinha mais jornalistas e policiais do que manifestantes.

Já em Turim, um ativista "No Vax" foi detido pela polícia em frente à estação ferroviária de Porta Nuova após se recusar a mostrar os documentos e chutar os agentes.

Depois de vários dias de agressões e ameaças contra médicos, jornalistas e políticos, considerados responsáveis pela introdução da exigência do atestado de saúde, os protestos dos antivacinas desinflou justamente quando se esperava um clima de confronto intenso.

"Somos contra todas as formas de violência e não estou aqui para bloquear trens ou fazer qualquer outra coisa, mas como estamos em um estado livre e democrático, a vacina não pode ser obrigatória", explicou Raffaele Bruno, secretário do Movimento das Ideias Sociais.

Os atos foram convocados no grupo do Telegram intitulado "Chega de ditadura" que tem mais de 40 mil membros. Nos últimos dias, o chat foi preenchido com ameaças contra políticos, médicos e jornalistas, incluindo o diretor do departamento de doenças infecciosas do Hospital San Martino de Gênova, Mateo Bassetti.

O próprio ministro das Relações Exteriores, Luigi Di Maio, também foi ameaçado com frases intimidantes, como "você tem que morrer". Ele, porém, chamou os atos de "covardes" e disse que o "clima de ódio" não vai impedir a campanha de vacinação.

Nesta tarde, a ministra do Interior da Itália chegou a agradecer as autoridades pelo "empenho e profissionalismo de todos os homens e mulheres da polícia na atividade de prevenção e controle do território também realizado em dias particularmente complexos, como hoje, em que dezenas de protestos e ações ilegais foram anunciados perto das estações ferroviárias". (ANSA)

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