Premiê da Itália acena com vacinação obrigatória contra Covid

País quer imunizar 80% das pessoas até meados de setembro

Centro de vacinação anti-Covid em Gênova (foto: ANSA)
14:43, 03 SetROMA ZLR

(ANSA) - O primeiro-ministro da Itália, Mario Draghi, acenou nesta quinta-feira (2) com a possibilidade de tornar obrigatória a vacinação contra o novo coronavírus.

O posicionamento do premiê chega em meio a um clima de crescente tensão no país por causa dos movimentos antivacinas, com episódios de agressões a jornalistas e ameaças a médicos pró-imunização e membros do governo.

Em coletiva de imprensa nesta quinta, Draghi foi questionado se seu gabinete vai instituir obrigatoriedade de vacinação e a aplicação da terceira dose contra a Covid-19, caso haja aval das agências de medicamentos da União Europeia e da Itália.

"Sim para ambas as perguntas", respondeu o primeiro-ministro laconicamente, sem esticar a questão. Na semana passada, o subsecretário do Ministério da Saúde, Pierpaolo Sileri, já havia alertado que o governo começaria a discutir a obrigatoriedade caso o país não alcançasse 80% da população imunizada até 15 de setembro.

Até o momento, pouco mais de 70% do público-alvo (pessoas de 12 anos ou mais) já está totalmente vacinado na Itália. Quando se considera toda a população, esse índice é de pouco mais de 60%, de acordo com o portal Our World in Data.

O ritmo de imunização, no entanto, vem caindo há quase dois meses. O Ministério da Saúde aponta que foram aplicadas quase 3,9 milhões de doses entre 11 e 17 de julho, número que despencou para 1,8 milhão no período entre 22 e 28 de agosto.

A eventual obrigatoriedade teria apoio de boa parte da coalizão de Draghi, mas enfrentaria resistência de partidos de extrema direita. "Surreal a coletiva de imprensa de Draghi, […] que diz 'sim' à obrigatoriedade da vacina", escreveu no Facebook a deputada ultranacionalista Giorgia Meloni, líder do único grande partido de oposição no país, o Irmãos da Itália (FdI).

Já sobre a terceira dose, o ministro da Saúde, Roberto Speranza, afirmou que a aplicação deve começar no fim de setembro, partindo dos indivíduos "mais frágeis", como idosos. (ANSA)

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