Antivacinas atiram ovos contra carro de governador italiano

Giovanni Toti defende obrigatoriedade para maiores de 50 anos

O governador da Ligúria, Giovanni Toti
O governador da Ligúria, Giovanni Toti (foto: ANSA)
14:06, 06 SetGENOVA ZLR

(ANSA) - Manifestantes antivacinas atiraram ovos no carro de um governador italiano que defendeu recentemente a obrigatoriedade da imunização contra o novo coronavírus para maiores de 50 anos.

O episódio ocorreu em Spotorno, durante uma visita do governador da Ligúria, Giovanni Toti, de centro-direita. O político ironizou a tentativa de intimidação e publicou no Facebook uma foto de seu carro com a legenda: "Uma vez feita a omelete, os ovos não voltam a ficar inteiros. Amigos 'antivax' (neste caso, melhor dizer 'sem cérebro'), da próxima vez os tragam cozidos".

Os responsáveis pelo incidente já foram identificados pela polícia. A Itália tem registrado diversos episódios de intimidação por parte de manifestantes antivacinas, incluindo agressões a jornalistas e ameaças a políticos nas redes sociais, especialmente contra aqueles favoráveis à obrigatoriedade na imunização anti-Covid.

O próprio Toti é um deles, ao menos em parte. Em entrevista ao Corriere della Sera em agosto passado, o governador lígure defendeu a vacinação obrigatória para pessoas com mais de 50 anos porque são "elas que lotam os hospitais".

A Itália já tem mais de 70% de seu público-alvo totalmente vacinado, mas a decisão do governo de exigir um certificado sanitário para acesso a locais como cinemas, academias, estádios e áreas cobertas de bares e restaurantes deu combustível a movimentos negacionistas em um país que já via com preocupação a ascensão dos "antivax" antes mesmo da pandemia.

A nação europeia chegou a registrar surtos de sarampo entre 2017 e 2018 por causa da queda da cobertura vacinal na população, o que fez o então governo de centro-esquerda tornar obrigatórias diversas vacinas para crianças em idade escolar, medida depois flexibilizada na gestão de Giuseppe Conte como premiê.

Recentemente, o primeiro-ministro Mario Draghi indicou que pode aprovar a obrigatoriedade da vacinação anti-Covid e chamou de "odiosas" as tentativas de intimidação por parte dos "antivax". (ANSA)

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