Neofascistas invadem sede de principal sindicato da Itália

Militantes participaram de protesto violento em Roma

Militantes participaram de protesto violento em Roma (foto: ANSA)
17:59, 09 OutROMA ZCC

(ANSA) - Um grupo de manifestantes, incluindo membros do partido neofascista Forza Nuova, invadiu a sede da Confederação-Geral Italiana do Trabalho (CGIL), principal sindicato da Itália, durante a série de protestos antivacina e contra o uso do passe sanitário da Covid-19 em Roma, neste sábado(9).

"Nossa sede nacional, a sede dos trabalhadores e trabalhadoras, foi atacada pelo Forza Nuova e pelo movimento 'No Vax'. Nós resistimos naquela época, vamos resistir agora", escreveu o perfil do sindicato no Twitter, ressaltando que todas "as organizações que se referem ao fascismo devem ser dissolvidas".

Durante o protesto, diversos militantes conseguiram arrombar as portas da sede do sindicato e entraram antes que a polícia pudesse deter o grupo. "Estamos esperando Landini" e "tirem as mãos do trabalho", gritavam os manifestantes.

De acordo com o movimento antivacina, a CGIL é culpada de não defender os trabalhadores que serão obrigados a apresentar o passe sanitário em todos as empresas públicas ou privadas a partir do dia 15 de outubro.

"O assalto à sede da CGIL nacional é um ato de esquadrões fascistas. Um ataque à democracia e a todo o mundo do trabalho que pretendemos rejeitar. Ninguém pensa em trazer nosso país de volta ao período fascista", condenou o secretário-geral da CGIL, Maurizio Landini.

Segundo o executivo italiano, na manhã deste domingo (10), em frente à sede do sindicato será realizada uma assembleia geral, convocada com urgência, para decidir todas as iniciativas necessárias.

A invasão foi duramente condenada pelos principais políticos italianos, incluindo o presidente Sergio Mattarella, o primeiro-ministro Mario Draghi, o chanceler Luigi Di Maio, o ex-ministro do Interior Matteo Salvini, entre outros.

Draghi telefonou para Landini para expressar sua solidariedade e qualificou qualquer intimidação contra essas organizações, "fundamentais para a democracia", como "inaceitáveis".

Já Di Maio disse que estes "não são manifestantes, mas criminosos" e apelou à "não instrumentalização" da crise da saúde.

Manifestações semelhantes, embora menores, ocorreram em outras cidades do país, como em Milão. Até o momento, pelo menos três pessoas foram detidas nos atos na capital italiana. (ANSA)

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