Direita se une para esvaziar moções contra neofascistas na Itália

Grupo de extrema direita invadiu sindicato no fim de semana

Militantes do Força Nova fazem 'saudação romana' durante protesto em 2017
Militantes do Força Nova fazem 'saudação romana' durante protesto em 2017 (foto: ANSA)
14:26, 11 OutROMA ZLR

(ANSA) - Partidos do campo conservador na Itália já se movimentam para esvaziar duas moções parlamentares que pedem a dissolução do movimento neofascista Força Nova (FN), que invadiu a sede do principal sindicato do país durante um protesto contra um certificado sanitário anti-Covid no último fim de semana.

As legendas de centro e esquerda Partido Democrático (PD), Itália Viva (IV) e Partido Socialista Italiano (PSI) protocolaram no Senado duas resoluções que obrigam o governo a extinguir o FN, mas a direita quer que os textos sejam alterados para incluir apenas uma genérica condenação de "todas as formas de violência".

"Queremos fazer uma coisa séria? Todo o Parlamento se junte para aprovar um documento contra qualquer forma de violência e para dissolver todas as organizações que levem adiante a violência. A violência dos centros sociais [como são chamadas pequenas organizações de esquerda radical no país] não é menos importante", disse nesta segunda-feira (11) o senador de ultradireita Matteo Salvini.

Já o partido conservador Força Itália (FI), do ex-premiê Silvio Berlusconi, afirmou que não vai apoiar as moções da centro-esquerda porque "não existem totalitarismos ruins e totalitarismos bons". "Propomos trabalhar em uma moção unitária contra todos os totalitarismos", acrescentou a sigla.

As resoluções contra o Força Nova, no entanto, não fazem menção a "totalitarismos", mas sim remetem a um artigo específico da Constituição Italiana que "proíbe, sob qualquer forma, a reorganização do partido fascista".

"Nossa moção pede que o governo, através de instrumentos previstos pelas leis vigentes, dissolva a organização neofascista Força Nova e todos os outros grupos que remetem ao fascismo. Esperamos que todas as forças políticas autenticamente democráticas a apoiem", disseram as líderes do PD no Senado, Simona Malpezzi, e na Câmara, Debora Serracchiani.

Fundado em 1997, o FN recusa o rótulo de "neofascista", mas suas manifestações são sempre repletas de referências nostálgicas ao ditador Benito Mussolini e a símbolos do fascismo, como a saudação romana.

No último sábado (9), o grupo participou de um protesto em Roma contra a exigência de certificado sanitário anti-Covid em todos os locais de trabalho na Itália, regra que entra em vigor em 15 de outubro.

Durante o ato, militantes do Força Nova instaram a multidão a atacar sedes das instituições, como o Palácio Chigi, que abriga o gabinete do premiê Mario Draghi, e lideraram uma invasão à Confederação Geral Italiana do Trabalho (Cgil), principal sindicato do país.

A ação fez renascer o fantasma do "squadrismo", tática paramilitar de intimidação contra oponentes incorporada pelo fascismo logo em seus primórdios. "O episódio, sem sombra de dúvidas, entra no cânone do squadrismo armado do qual o fascismo se valeu entre 1920 e os anos sucessivos para a eliminação de adversários políticos", diz a moção do PSI e do IV.

O FN é historicamente próximo do partido de extrema direita Irmãos da Itália (FdI), que hoje lidera praticamente todas as pesquisas de intenção de voto em âmbito nacional. A própria líder do FdI, a popular deputada Giorgia Meloni, admitiu que a ação do Força Nova foi "squadrista", mas não quis defini-la como "fascista".

"Com certeza é violência e squadrismo, porém não conheço a origem. Se é fascista ou não é fascista, não é esse o ponto. O ponto é que é violência, é squadrismo, e essa coisa deve sempre ser combatida", declarou Meloni no último domingo (10).

Seis pessoas foram presas após a invasão da Cgil, incluindo Roberto Fiore, fundador e líder do Força Nova. O sindicato também recebeu a visita de Draghi nesta segunda-feira e vai organizar uma manifestação antifascista no próximo sábado (16). (ANSA)

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