Presidente da Itália indica que não quer reeleição

Mandato de Sergio Mattarella termina no início de 2022

Sergio Mattarella é presidente da Itália desde 2015
Sergio Mattarella é presidente da Itália desde 2015 (foto: ANSA)
18:44, 13 NovROMA ZLR

(ANSA) - Enquanto os partidos italianos já se movimentam de olho na eleição que definirá o próximo presidente da República, o atual chefe de Estado do país, Sergio Mattarella, deu sinais de que não quer ser reconduzido ao cargo.

Na Itália, o presidente tem mandato de sete anos e é eleito pelo Parlamento, mas, desde a instauração da República, houve apenas uma reeleição, de Giorgio Napolitano, em 2013, quando os partidos não conseguiam chegar a um acordo sobre nenhum outro candidato.

Em cerimônia na última quinta-feira (11), Mattarella lembrou que o ex-presidente Giovanni Leone (1971-1978) defendia a "não reelegibilidade do presidente da República, por meio da eliminação do semestre branco [últimos seis meses de mandato do chefe de Estado, quando ele não pode dissolver o Parlamento]".

Mattarella ainda acrescentou que essa frase proferida por Leone é "tida por juristas como uma das maiores intervenções sobre reformas institucionais".

A declaração do presidente foi dada em um evento em homenagem ao próprio Leone, mas acabou interpretada pela imprensa italiana como um claro sinal de Mattarella contra uma possível reeleição.

O mandatário já teria inclusive alugado um apartamento em Roma para quando deixar o Palácio do Quirinale.

Legalmente, não existe nenhum impedimento à recondução de um presidente da República, mas jornais na Itália já começam a ventilar rumores sobre uma possível manutenção de Mattarella no cargo. O próprio Napolitano foi reeleito quase contra a sua vontade, após apelos de parlamentares para ele aceitar a recondução e colocar um fim na crise institucional que havia se instaurado na ocasião.

Publicamente, líderes partidários dizem que é preciso esperar até janeiro, último mês de mandato de Mattarella, para discutir sua sucessão, mas os principais nomes em pauta hoje são os do premiê Mario Draghi, o que colocaria o país no caminho de eleições antecipadas, e do ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, hipótese defendida sobretudo por partidos conservadores.

"Vamos falar da Presidência em janeiro, até porque nunca vi um presidente da República escolhido com meses de antecedência. O que acontece agora é só papo furado que distrai das coisas importantes", disse nesta sexta (12) o ex-premiê e líder da centro-esquerda italiana, Enrico Letta.

Para se eleger chefe de Estado, o candidato precisa obter maioria qualificada de dois terços dos cerca de mil votos no Parlamento, mas, a partir da quarta tentativa, é necessária apenas maioria simples. (ANSA)

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