Eleição para presidente revive movimento contra Berlusconi

Ex-premiê da Itália tenta emplacar candidatura ao Quirinale

Protesto do movimento 'Popolo Viola' contra Berlusconi em novembro de 2013
Protesto do movimento 'Popolo Viola' contra Berlusconi em novembro de 2013 (foto: ANSA/CLAUDIO PERI)
09:23, 03 JanROMA ZLR

(ANSA) - Os rumores sobre uma possível eleição de Silvio Berlusconi para presidente da Itália reacenderam um movimento de protesto contra o ex-primeiro-ministro que estava adormecido havia nove anos.

Com Sergio Mattarella perto de concluir seu mandato, o Parlamento italiano será convocado em janeiro para escolher um novo chefe de Estado, e partidos conservadores tentam emplacar o nome de Berlusconi, que ainda responde a vários processos na Justiça.

Embora essa hipótese seja considerada improvável hoje, o movimento "Popolo Viola" ("Povo Roxo", em tradução livre) marcou uma manifestação para a próxima terça-feira (4), em Roma, para protestar contra a possibilidade de Berlusconi ocupar o Palácio do Quirinale.

O grupo surgiu em 2009 para pedir a renúncia do então primeiro-ministro da Itália e estava adormecido desde o fim de 2013, quando Berlusconi teve seu mandato de senador cassado em função de uma condenação por fraude fiscal.

"Berlusconi no Quirinale seria inadequado porque ele já foi condenado e colecionou inúmeros momentos de conflitos de interesses, diversas gafes sexistas, relações comprometedoras com Putin e outros, além de processos", diz Gianfranco Mascia, um dos líderes do "Popolo Viola" desde 2009 - a cor roxa foi escolhida por não estar ligada a nenhum partido.

O protesto da próxima terça-feira foi intitulado "O Quirinale não é um bunga-bunga", em referência ao apelido dado pela imprensa italiana às noitadas com prostitutas promovidas por Berlusconi quando era primeiro-ministro. "Dá arrepios só de pensar em uma candidatura", diz o movimento.

O ex-premiê vem tentando angariar apoio para chegar à Presidência e fez afagos públicos até no antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), partido que ele sempre criticou e que detém a maior bancada na Câmara e no Senado.

Para se eleger presidente da República, o candidato precisa obter maioria qualificada de dois terços dos cerca de mil votos no Parlamento em sufrágio secreto. Se esse quórum não for alcançado nas três primeiras tentativas, passa a ser exigida apenas maioria simples.

Berlusconi tem penetração em partidos de direita, mas enfrenta resistência na esquerda e no M5S, especialmente por conta de seus problemas com a Justiça. Além de uma pena já cumprida por fraude fiscal, o ex-premiê enfrenta processos por manipulação de testemunhas referentes às festas com prostitutas em suas mansões.

Outro nome cotado para substituir o presidente Mattarella é o atual primeiro-ministro Mario Draghi, o que deixaria vago o comando do governo e poderia colocar a Itália no caminho de eleições antecipadas, hipótese que não agrada à maioria dos partidos.

No entanto, é comum que grupos políticos escondam seus candidatos a chefe de Estado para evitar queimá-los antes da hora. (ANSA)

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