Funeral exalta caráter gentil e pacato de David Sassoli

Presidente do Parlamento Europeu morreu no início da semana

Funeral de Estado de David Sassoli (foto: ANSA)
12:20, 14 JanROMA ZLR

(ANSA) - As principais autoridades da Itália e da União Europeia participaram nesta sexta-feira (14) do funeral com honras de Estado do presidente do Parlamento do bloco, David Sassoli, que morreu na última terça (11), aos 65 anos de idade.

A cerimônia ocorreu na Basílica de Santa Maria degli Angeli, em Roma, e contou com o presidente italiano, Sergio Mattarella, o premiê Mario Draghi, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, e os mandatários da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do Conselho Europeu, Charles Michel.

O caixão de Sassoli, um europeísta apaixonado, chegou à igreja coberto por uma bandeira da UE, enquanto algumas centenas de pessoas se reuniam do lado de fora para acompanhar o funeral em um telão.

Durante a cerimônia, os discursos exaltaram o caráter gentil e tranquilo do político socialista, que mantinha boas relações com todos os grupos.

"Você escolhia palavras pacatas e calibradas, as lançava em nosso coração como um arqueiro, palavras que modelaram nosso país e a Europa, palavras que têm o perfume da fraternidade", disse o padre jesuíta Francesco Occhetta, que abriu o funeral.

Já o arcebispo de Bolonha, cardeal Matteo Zuppi, ex-companheiro de escola de Sassoli, afirmou que ele era o "colega de classe que todos queriam ter". "Vamos levar no coração o sorriso quase tímido de David. Alguém já me disse que nunca viu ninguém irritado com David", declarou Zuppi em sua homilia.

"Ele era um homem partidário, mas também um homem de todos. Seu lado era o da pessoa: para ele, a política deveria ser para o bem comum. Por isso ele queria uma Europa unida e trabalhou para que as instituições funcionassem. Não ideologia, mas ideais. Não cálculos, mas uma visão", acrescentou o cardeal.

Família

A viúva de Sassoli, Alessandra Vittorini, disse em sua mensagem que será "duro" viver sem seu marido. "Mas você nos demonstrou que nada é impossível", afirmou.

Os dois se conheciam desde os tempos de escola e tiveram dois filhos, Livia e Giulio. "Sempre te dividimos com outros: família e trabalho, família e política, família e paixões. Outros lugares e compromissos com os quais você construiu com tenacidade o seu modo de ser, de fazer, os seus valores", afirmou Vittorini.

Ela também contou que Sassoli lamentara seu destino há algumas semanas, após a piora de seu quadro de saúde. "'Tive uma vida bonita, muito bonita, ainda que um pouco complicada, e acabá-la aos 65 anos é muito cedo.' Você me dizia isso enquanto nós brincávamos de nos esconder da realidade, esperando o impossível. É muito cedo para as tantas coisas que tínhamos para nos dizer, para o futuro que projetávamos para nós dois e nossos filhos. Mas caminharemos certos da sua presença, que nos acompanhará de outra maneira, mais densa e profunda. O vazio produzido por uma perda pode se transformar em plenitude", disse.

O presidente do Parlamento da UE será sepultado no cemitério de Sutri, cidadezinha da região do Lazio onde ele passava o tempo livre com a família.

Trajetória

Nascido em 30 de maio de 1956, em Florença, Sassoli foi criado em Roma e, antes de entrar para a política, trabalhou como jornalista por mais de duas décadas e foi apresentador do TG1, principal telejornal da emissora pública Rai e da TV italiana.

Ele deixou o canal em 2009 para se candidatar ao Parlamento Europeu pelo Partido Democrático (PD), de centro-esquerda, e foi eleito com 412 mil votos. Em 2013, tentou disputar a Prefeitura de Roma, mas acabou perdendo as primárias do PD para Ignazio Marino, que venceria as eleições.

Depois disso, decidiu se concentrar na UE e foi reeleito para o Europarlamento em 2014 e 2019. Após liderar a delegação do PD entre 2009 e 2014, foi vice-presidente do Legislativo de 2014 a 2019, quando venceu a disputa para comandar o órgão, sucedendo o também italiano Antonio Tajani.

Sassoli defendia o acolhimento de migrantes e refugiados, cobrava reações mais drásticas contra medidas autoritárias em Estados-membros do leste europeu e era a favor do aumento da integração no bloco.

Ele estava internado desde 26 de dezembro em um hospital oncológico de Aviano, que diz que a morte foi provocada por uma "grave complicação devida a uma disfunção no sistema imunológico".

Em setembro, o italiano chegou a ser hospitalizado devido a uma pneumonia bacteriana e nunca se recuperou totalmente. Além disso, já havia feito um transplante de medula em função de um mieloma, câncer que atinge o sistema imunológico, há cerca de 10 anos. (ANSA)

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