Primeira votação para presidente da Itália termina sem vencedor

Plenário da Câmara dos Deputados em eleição para presidente da Itália
Plenário da Câmara dos Deputados em eleição para presidente da Itália (foto: ANSA)
18:28, 24 JanROMA ZLR

(ANSA) - Terminou sem vencedor a primeira votação no Parlamento da Itália para eleger o próximo presidente da República, realizada nesta segunda-feira (24).

Como já era esperado, nenhum candidato alcançou a maioria qualificada de dois terços dos votos (672 de um total de 1.008), já que os principais partidos do país decidiram votar em branco enquanto ainda negociam para chegar a um consenso.

A próxima votação está prevista para esta terça-feira (25), e o pleito seguirá com um escrutínio por dia até que haja um vencedor. No entanto, a partir da quarta votação, um candidato precisará obter apenas a maioria simples (505 votos).

Além disso, o colégio eleitoral deve voltar a ter 1.009 integrantes, com a proclamação nesta terça do substituto de Enzo Fasano, deputado morto no último domingo (23). Atualmente, o conjunto de eleitores é formado por 629 deputados, 321 senadores e 58 delegados regionais.

A votação desta segunda terminou com 672 cédulas em branco e 49 nulas. O candidato mais votado foi o jurista Paolo Maddalena, apoiado por dissidentes do antissistema Movimento 5 Estrelas (M5S), com 36 votos.

Em seguida aparecem o presidente Sergio Mattarella (16), a ministra da Justiça, Marta Cartabia (9), e o ex-premiê Silvio Berlusconi (7). Também não faltaram os tradicionais votos de protesto ou de brincadeira, como para o ex-premiê Bettino Craxi (4), morto em 2000; o dono da Lazio, Claudio Lotito (2); e o ex-goleiro da seleção italiana Dino Zoff (1).

976 dos 1.008 eleitores participaram da votação.

Negociações

O dia foi marcado por intensas negociações entre os líderes dos partidos que compõem a base aliada do premiê Mario Draghi, um dos cotados para substituir Mattarella na Presidência.

Matteo Salvini, secretário federal da legenda de ultradireita Liga, teve reuniões separadas com os ex-primeiros-ministros Enrico Letta e Giuseppe Conte, líderes do centro-esquerdista Partido Democrático (PD) e do M5S, respectivamente.

"Abrimos um diálogo, e isso é algo positivo", declarou Letta após o encontro com Salvini. As tratativas permaneceram congeladas até o último fim de semana e só ganharam corpo com a desistência de Berlusconi, que insistia em ser presidente apesar das negativas de PD e M5S.

Draghi continua sendo o mais cotado, mas ele só irá ao Palácio do Quirinale se os partidos da situação fecharem um acordo sobre um novo primeiro-ministro - a atual legislatura termina apenas em 2023.

O próprio Draghi conversou nesta segunda com Salvini, Letta e Conte, entrando ativamente nas negociações. O objetivo da base aliada é encontrar um nome de consenso para a Presidência e evitar eventuais rupturas na situação, o que poderia até provocar a queda do governo.

Já o partido de ultradireita Irmãos da Itália (FdI), única grande força de oposição ao atual governo, propôs o jurista Carlo Nordio, ex-procurador que trabalhou na Operação Mãos Limpas e em inquéritos sobre o grupo terrorista de esquerda Brigadas Vermelhas.

Por sua vez, pequenos partidos de centro defenderam a nomeação da ministra Cartabia. Outros cotados são o senador de centro Pier Ferdinando Casini e o próprio Mattarella, que, no entanto, não quer saber de reeleição e já iniciou até sua mudança do Palácio do Quirinale.

Apesar de ter um papel mais institucional do que político, o presidente da Itália está longe de ser uma figura meramente cerimonial e tem poder para influenciar os rumos do país, nomeando premiês, barrando indicações de ministros e até cobrando a aprovação de leis do interesse da nação.

O próprio Draghi é uma escolha pessoal de Mattarella para solucionar a crise aberta após a queda de Conte, em janeiro passado, e hoje lidera um governo de união nacional. (ANSA)

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